Alberto João Jardim vai participar nas diretas de janeiro do PSD e já fez a sua escolha. Em entrevista à RTP, esta quarta-feira à noite, o antigo líder madeirense diz que, “como as coisas se apresentam”, a opção é para Rui Rio. Jardim revê-se no “perfil reformador” do antigo autarca do Porto e aponta a Santana Lopes uma fragilidade que, ao mesmo tempo, lhe dá “vantagem” na corrida à liderança social-democrata: tem o “aparelho partidário ao seu lado”.

Ter o “aparelho” social-democrata a sustentar a sua candidatura é, para Jardim, uma “desvantagem” para Santa Lopes. Mas isso é para Jardim. Porque, para aquilo que está em causa — conseguir o lugar de Pedro Passos Coelho –, esse handicap transforma-se em peça vital para ganhar a eleição.

A partidocracia portuguesa está na mão das oligarquias, a tendência é para a continuidade”, sublinha Alberto João Jardim, que já adivinha a vitória do provedor cessante da Santa Casa da Misericórdia.

Jardim prefere Rui Rio porque “é mais uma rutura em relação ao que estava” e porque “é preciso haver uma mudança clara no PSD e no país”. O que estava era Passos Coelho. É sabido, e não é de agora, que o antigo líder madeirense não morre de amores pelo ainda presidente do PSD. A relação não ficou melhor com o passar dos anos e Jardim atira aos últimos anos de liderança do partido. “Fizeram a barraca que fizeram no país”, foram “mais papistas que o Papa” no Governo e entraram “por um caminho que nem os prémios Nobel da economia defendiam, que é retirar moeda de circulação e fazer uma espécie de genocídio social”.

A avaliação de Jardim não fica por aí. “Um dos erros enormes que houve nesta geração millenials do PSD é que entenderam que todos os que tinham mais de uma certa idade eram para abater”, e isso “é uma ideia ridícula”, defende. Deixaram também uma marca dentro do próprio partido, ao provocar uma “clivagem geracional”. “O partido não pode ter essas clivagens geracionais, um partido tem de unir”, considera. Esse é um dos pontos fortes com que Rio se apresenta à eleição interna: com o objetivo de “destruir a clivagem que Pedro Passos Coelho e sua trupe fizeram no PSD”.

O PSD prepara-se para renovar a sua liderança mas, para Jardim, não se pode exigir já ao próximo líder que vença as próximas eleições legislativas. “Não quer dizer que não vá ganhar, mas é preciso o PSD não viver só para o poder”, considera o madeirense. Antes de mais, o próximo líder “não pode dizer asneiras como Pedro Passos Coelho andou a fazer e a dizer enquanto primeiro-ministro”. Depois, quem vencer não se pode lançar numa “corrida aflitiva” para chegar a São Bento. “O PSD tem de pensar a médio prazo, tem de pensar no interesse nacional”, defende Jardim.