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Osama bin Laden

De decapitações a “funny cats”, eis o que Bin Laden tinha no computador

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A CIA revelou novos ficheiros recolhidos da casa de Bin Laden, em 2011. E há de tudo: as primeiras imagens do filho Hamza em idade adulta, desenhos animados, decapitações... e tutoriais de croché.

Getty Images

“No interesse da transparência e para melhorar a compreensão publica da al-Qaeda e do seu antigo líder”, a CIA lançou mais 470 mil documentos recolhidos no ataque que acabou com a morte do então “homem mais procurado do mundo”, Osama Bin Laden.

Os ficheiros recolhidos em Abbottabad, no Paquistão, são bastante distintos: foi revelado um vídeo do filho Hamza já adulto — algo inédito –, documentos que detalham a relação da al-Qaeda com o Irão, conteúdo do diário de Bin Laden e uma série de ficheiros do seu computador que vão desde vídeos de decapitações a vídeos de “funny cats” ou tutoriais de croché.

Sim, a “cara do terrorismo” tinha vídeos de gatos e tutoriais de croché no seu computador. E não só. O computador de Bin Laden tinha uma série de filmes de animação como “Tom e Jerry”, “Antz”, “Idade do Gelo”, “Carros”, “Wallace e Gromit” e “A Ovelha Choné”, bem como séries ou filmes de “anime”.

Bin Laden também tinha vários vídeos do YouTube no seu computador, de entre os quais se destacam o viral “Charlie bit my finger” e um vídeo de “Mr Bean” com legendas em afegão.

A coleção de tutoriais de croché no computador de Bin Laden contava com mais de 30 vídeos que ensinavam a fazer desde borboletas e flores a cestas ou chapéus.

O antigo líder da al-Qaeda vivia em Abbottabad com mulheres e crianças, pelo que não é possível dizer ao certo se os filmes de animação e o croché eram preferências suas ou não.

De acordo com o site Gizmodo, no computador havia também um filme conspirativo sobre o 11 de setembro. Loose Change apresenta a teoria de que o ataque às Torres Gémeas foram orquestradas pelo governo de George W. Bush, não por Bin Laden ou pelo al-Qaeda. Além disso, segundo a CNN, o computador tinha os documentários “Where in the World is Osama Bin Laden” e “CNN Presents: World’s Most Wanted”.

Graças à divulgação destes documentos e ficheiros é possível, pela primeira vez, ver imagens de Hamza Bin Laden, o filho do antigo líder da al-Qaeda. Hamza, que é apontado como futuro líder da organização terrorista, aparece num vídeo do seu casamento no qual Osama Bin Laden não estava presente. Até então só tinham sido revelados vídeos de Hamza enquanto criança.

Que estava escrito no diário de Bin Laden?

O diário de Bin Laden revela que o terrorista saudita, filho de um multi milionário, visitou por duas vezes o Reino Unido: a primeira foi com 13 anos, para receber “tratamento”, e a segunda, um ano depois, para “estudar”. Esta última durou dez semanas e levou-o a crer que o ocidente era “decadente”.

Revela o diário que Bin Laden visitou a casa de William Shakespeare, em Stratford-upon-Avon, “todos os domingos”. Laden dizia não estar “impressionado”, pois via que estava numa “sociedade moralmente solta”.

Além disso, Bin Laden escrevia sobre planos para a al-Qaeda após o eclodir da Primavera Árabe, nomeadamente sobre como a organização podia aproveitar a revolta popular e o crescendo de sentimento islâmico.

O então líder da al-Qaeda partilhou o diário com o seu filho Khalid, morto no mesmo ataque que o pai. Ambos escreviam sobre a sua visão para os países muçulmanos, que esperavam que se unissem e estabelecessem paz com o Ocidente.

A relação da al-Qaeda com o Irão

Um dos documentos divulgados pela CIA, obtidos primeiramente pelo site The Long Journal, é um relato de um militante do grupo, que diz que o Irão fez ofertas aos “irmãos sauditas” de “dinheiro, armas” e “tudo aquilo de que precisarem”, incluindo “treino nos campos do Hezbollah no Líbano” em troca do ataque “a interesses americanos na Arábia Saudita e no Golfo”. Não se sabe se a al-Qaeda aceitou a oferta, ou se esta foi sequer feita formalmente.

É revelado ainda que o Irão facilitou as passagens de militantes e deu abrigo a outros. Contudo, a relação entre o país e a organização era, por vezes, tumultuosa. Uma negociação para um abrigo permanente para jihadistas no Irão correu mal após alguns membros da al-Qaeda terem violado termos do acordo, o que levou o Irão a deter alguns militantes.

Por sua vez, a al-Qaeda chegou a raptar um diplomata iraniano para usar como moeda de troca por alguns dos seus homens e mulheres. Segundo The Long Journal, Bin Laden queria mesmo reduzir a influência do Irão no Médio Oriente. Contudo, segundo o autor do documento, Irão e al-Qaeda não estavam em conflito pois tinham interesses que se “intercetavam”, principalmente enquanto “inimigo da América”.

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