A mulher que, na madrugada desta quarta-feira, morreu vítima de um disparo de agentes da PSP, em Lisboa, foi atingida pelas costas. Uma fonte judicial ouvida pelo Expresso aponta para um buraco de bala nas costas do assento em que Ivanice Carvalho das Costas seguia, sinal de que os disparos contra o Renaul Mégane em que a mulher seguia não foram — ao contrário do que a PSP alegava — feitos de frente para o carro. Agentes arriscam ser julgados em tribunal por homicídio por negligência.

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A bala que matou Ivanice ficou alojada no pescoço. E, num primeiro momento, a PSP avançou a informação de que os agentes teriam disparado apenas de frente para o carro conduzido pelo namorado da vítima, depois de o homem ter ignorado um ordem de paragem e de ter avançado sobre os seis polícias, acabando por ferir um deles na perna, sem gravidade. Nesse momento, os elementos ao serviço da PSP de Loures acreditavam tratar-se do mesmo carro que tinha estado envolvido, cerca de meia hora antes, num assalto a uma caixa multibanco, em Almada.

Não era. O carro dos assaltantes, um Seat Leon, seria encontrado mais tarde, já Ivanice tinha sido atingida. Apesar de a PSP ter avançado com a versão dos tiros “de frente”, o semanário Expresso escreve que, de acordo com a mesma fonte judicial, o carro em que a mulher seguia “só tinha uma marca do que se julga ser um projétil no capô”, apesar de haver outras 19 marcas no carro. Essas, no entanto, são visíveis nas laterais e na traseira do Renaul Mégane.

Os seis agentes envolvidos nesse episódio foram constituídos arguidos e as suas armas inspecionadas e devolvidas. Caberá agora ao Ministério Público apurar se, quando puxaram das Glock, agiram “em caso extremo” para “proteger a própria vida” ou a “de terceiros”, como estipula o código de conduta da PSP.

No mínimo, de acordo com o semanário, o autor do disparo arrisca uma acusação de homicídio por negligência.

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