O movimento #MeToo já chegou a Espanha. Chama-se “La Caja de Pandora” (“Caixa de Pandora”, em Português) e reúne perto de 3.000 mulheres do mundo das artes e da literatura falam entre si através de um grupo de Facebook e partilham as suas histórias ligada aos abusos de poder, assédio e comportamentos inapropriados a que foram sujeitas.

Mas neste grupo, secreto, nem todas as mulheres têm histórias para partilhar. Há muitas que apenas lêem as histórias de outras e as aconselham, e, avança o El País, há várias histórias que denunciam as mesmas pessoas, vindas de mulheres que se estão a juntar para as denunciarem, assim que se propicie.

O grupo, formado no verão passado, tem crescido a olhos vistos. Foi criado em torno do caso de Carmen Tomé, uma artista que denunciou os abusos que sofreu por parte de Javier Duero, tutor da jovem. Carmen Tomé apresentou queixa, e leu em público a denúncia que fez contra o tutor, onde, segundo o jornal espanhol, se pode ler que Duero tentou tocar na jovem.

“Meia hora depois ele veio ter comigo e desculpou-se. Disse-me que há algum tempo que não via a sua namorada”, contou a jovem, citada pelo jornal espanhol. Duero negou que isto tenha acontecido, mas a investigação está aberta. Na “Caja de Pandora”, várias mulheres dizem que Carmen não está sozinha.

Susana Blas, artista espanhola e membro do grupo de Facebook, disse ao El País que “a grandeza do grupo está no facto de termos conseguido tantos testemunhos de mulheres de todas as idades”. E Susana deixa o alerta: há casos preocupantes, dentro do grupo, que precisam de ajuda. E porque é que estas mulheres não dão a cara como no movimento #MeToo? “Vamos com calma, queremos primeiro recolher as confissões”, explica Susana.

Além disso, Susana explica que são “patrocínios” neste grupo de mulheres, de modo a que com as queixas apresentadas se possam enfrentar juízes e advogados, adianta o jornal espanhol. “O nosso esforço está centrado agora no caso da Carmen Tomé. Esse é um dos nossos objetivos de dar poder às mulheres para que não se sintam sozinhas perante estes abusos”, acrescenta Susana Blas.

#MeToo é a Figura do Ano 2017 da Time