O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, disse este sábado que as acusações dos EUA contra 13 cidadãos russos por interferência nas eleições de 2016 são apenas “conversa fiada“.

Numa conferência sobre segurança em Munique, Lavrov não quis comentar a notícia, mas em declarações à imprensa, o ministro russo sublinhou: “Podem publicar tudo e vemos as acusações a multiplicarem-se, os discursos a multiplicarem-se”.

“Até vermos os factos, tudo é conversa fiada. Pelo desculpa por esta expressão”, afirmou ainda Lavrov.

Na mesma conferência, o conselheiro do presidente Donald Trump para a segurança nacional, H. R. McMaster, sublinhou que a acusação emitida esta sexta-feira pelo conselho liderado pelo procurador Robert Mueller demonstra que os Estados Unidos estão a apostar cada vez mais em “descobrir as origens desta espionagem e subversão”.

“Como podem ver pela acusação do FBI, as provas são agora incontornáveis e disponíveis ao público”, disse McMaster a um delegado russo presente na conferência, segundo a Associated Press.

Os dois — Lavrov e McMaster — participaram este sábado na conferência de segurança que decorre em Munique e onde estão presentes vários líderes mundiais, e as intervenções de ambos acabaram por ficar marcadas por este assunto.

Esta sexta-feira, o gabinete do procurador especial Robert Mueller — destinado a investigar as acusações de interferência russa nas eleições dos EUA — acusou formalmente 13 cidadãos e três entidades russas de terem interferido no processo eleitoral norte-americano.

EUA acusam 13 cidadãos russos e três entidades de interferência nas eleições. Trump garante que “não fez nada de errado”

Os visados são acusados de violar as leis criminais dos Estados Unidos para interferir com as eleições presidenciais norte-americanas de 2016 e com o processo político.

Donald Trump reagiu, garantindo que a sua campanha não fez nada de errado”. “A Rússia começou a sua campanha contra os Estados Unidos em 2014, muito antes de eu anunciar que seria candidato. Não houve impacto no resultado das eleições. A minha campanha não fez nada de errado, não há conluio”, disse Trump.

Na Rússia, a primeira reação foi no sentido de desvalorizar a acusação. “Treze pessoas interferiram nas eleições americanas? Treze? Com os orçamentos de milhares de milhões de dólares das forças especiais? Com a espionagem e contraespionagem? Com as tecnologias mais recentes?”, escreveu a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, no Facebook.

Depois, o enviado presidencial russo para a segurança internacional, Andrei Kutskikh, disse que “não há alegações oficiais, não há provas para isto, são apenas declarações de criança”.

A equipa do procurador especial Robert Mueller e duas investigações parlamentares estão a tentar esclarecer se a Rússia interferiu nas presidenciais para ajudar Donald Trump a vencer a adversária Democrata, Hillary Clinton, ou se houve conluio da equipa de campanha de Trump com a Rússia e se Trump tentou obstruir as investigações.

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