O episódio limite aconteceu a 12 de maio de 2016. A meio de um exercício de treino, de arma na mão, um dos elementos da equipa virou-se para o líder do grupo e fez a ameaça: “Dou-te dois tiros e nem quero saber!”, conta o diário espanhol El País. O procurador militar pede quatro anos de prisão para os cinco oficiais, que no final de maio vão responder em tribunal pela ameaças e perseguição a um outro militar.

De acordo com o procurador responsável pela investigação, o grupo de agressores era formado por cinco oficiais da Marinha espanhola que estavam sob comando de um sexto militar. Apesar de liderar o grupo, seria vítima dos insultos e ameaças. Mas, de acordo com o El País, que teve acesso ao despacho de acusação do Ministério Público, os episódios mais relevantes terão sido protagonizados por um militar em particular, 18 anos mais velho que o comandante do grupo.

Durante os cinco anos em que a perseguição terá ocorrido, foi ele quem se encarregou de realizar “a perseguição” e “as ameaças concretas e credíveis” contra o líder do grupo. “Não vales nada” e “se te apanho lá fora, espeto-te um tiro e arranco-te os olhos” são alguns dos ataques reunidos pela investigação e relatados pelo diário espanhol. O Ministério Público pede quatro anos de prisão para cada um dos cinco oficiais que participaram nestes episódios, por terem violado direitos fundamentais e as liberdades públicas do militar — numa violação do artigo 50 do Código Penal Militar espanhol.

O procurador responsável pelo caso que implica oficiais da Marinha diz que os militares “mantiveram, de forma permanente e continua no tempo, um tratamento de desprezo, crítica e gozo com comentários depreciativos sobre a falta de aptidão profissional da vítima”. De acordo com o testemunho apresentado pelo militar alvo das ameaças e insultos em tribunal, os episódios começaram depois de o oficial se ter negado a dar apoio numa prova teórica de que tinham sido encarregados durante o primeiro curso da Escola Naval Militar.

Logo no segundo ano de formação, o militar informou os superiores de que estava a ser alvo de perseguição pelos companheiros de grupo. A resposta que recebeu, segundo o próprio, foi de que “teria de ser mais dócil e, de vez em quando, engolir alguns sapos”. Mais tarde, quando decidiu contar à Guardia Civil o que se estava a passar, os superiores aplicaram-lhe uma sanção leve. Em maio de 2016, no mesmo mês em que foi ameaçado de morte por um dos elementos que estava armado, durante o exercício de treino, recebeu uma admoestação por denunciar a perseguição fora da hierarquia militar. “Tais factos representam uma perda de confiança e fiabilidade por parte do aluno aos olhos de quem subscreve” esta consideração, lê-se no documento recuperado pela investigação judicial.

O militar foi, durante este período, acompanhado por uma psicóloga do Exército em cinco momentos diferentes, mas, como estava “academicamente bem”, não foi sinalizado qualquer problema.