O Stelvio é o primeiro SUV da Alfa Romeo, marca que tem um passado repleto de glórias na competição e que produziu ao longo da sua história um conjunto de veículos que figuraram por direito próprio entre os mais desportivos do seu tempo. Mas numa época em que os SUV, mais do que uma moda, são uma farda, pois toda a gente parece querer ter um, o fabricante de Arese não pode – nem quis – ficar insensível à vontade dos clientes, pelo que tratou de conceber um veículo mais volumoso, necessariamente mais pesado e com alguma capacidade para circular fora de estrada. Assim nasceu o Stelvio.

Mas para se impor e fazer justiça à sua imagem desportiva, a Alfa Romeo tinha de produzir um SUV com raça, capaz de se bater com os melhores, pelo que não foi preciso esperar muito para que o mais possante dos Stelvio, o Quadrifoglio com motor de 510 cv, enfrentasse aquele que era visto como o mais rápido dos Sport Utility Vehicle, o Porsche Cayenne Turbo S, com 570 cv. E logo na Alemanha, em casa deste, mais precisamente no antigo circuito de Nürburgring, onde os desportivos são testados e avaliados, uns contra os outros. O Cayenne detinha o recorde, com 7 minutos e 59 segundos, mas foi batido pelos 7.51,7 do Alfa Romeo, que passou a ser o novo rei do Nürburgring.

Ora se até aqui o Stelvio se fazia representar no mercado português pelas versões turbodiesel  com o motor 2.2, disponível em versões de 150, 180 e 210 cv, para contrapor às motorizações a gasolina com base no motor 2.0 Turbo, com potências de 200 e 280 cv, com versões de apenas tracção traseira, ou Q4, com quatro rodas motrizes, a marca italiana completou finalmente a gama nacional com a introdução do Quadrifoglio.

Exteriormente, é fácil distinguir o Stelvio mais potente dos restantes, devido às maiores entradas de ar, pneus mais largos e uns discretos apêndices aerodinâmicos, que incrementam a eficácia, mas sem que nenhum deles afaste os condutores que gostam de eficácia, mas não de uma excessiva exuberância.

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Por dentro há mais equipamento, bancos mais desportivos e envolventes e um sem-número de possibilidades de afinação, das suspensões à caixa de velocidades, passando pelo motor, direcção e transmissão, visando sempre transformar o Quadrifoglio num dois-em-um. Oferecendo, por um lado, um modelo mais calmo e confortável, para utilizar no dia-a-dia e, por outro, um SUV capaz de se transformar no tal desportivo exuberante e rápido, como ficou provado em Nürburgring, no instante seguinte. Veja aqui como foi a volta ao mítico circuito alemão.

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Mas o grande trunfo do Stelvio Quadrifoglio é a sua mecânica. A caixa é automática convencional, com conversor de binário, oferecendo oito velocidades e a possibilidade de trocar entre elas de forma muito rápida, como aliás seria de esperar, especialmente se seleccionado o modo de condução Race, o mais agressivo. Contudo, por possuir o tal conversor de binário, consegue ser extremamente progressiva e suave, se o objectivo for deslocar-se em ritmo de passeio. Acoplado à caixa está um sistema de transmissão de quatro rodas motrizes, que coloca mais potência atrás do que à frente – originalmente, o Stelvio é um veículo com tracção posterior –, agudizando esta repartição de potência à medida que se opta pelos modos de condução mais desportivos.

Mas o principal argumento do Quadrifoglio é o seu motor 2.9 V6 biturbo, com alma de Ferrari, pois foram os técnicos da casa do Cavallino Rampante que o aprimoraram até conseguirem extrair uns impressionantes 510 cv e, mais importante do que isso, 600 Nm de força. Os 4,7 metros de comprimento garantem-lhe espaço interior, e mala a condizer, mas não conseguem evitar que o peso suba para 1.905 kg, mais 210 kg do que o Giulia com a mesma mecânica, modelo com quem partilha igualmente a plataforma.

O Stelvio Quadrifoglio já está à venda entre nós e conta com uma dezena de unidades vendidas, todas elas capazes de atingir 307 km/h e passar pelos 100 km/h ao fim de somente 3,9 segundos. Como os clientes fazem questão de lhe reforçar o nível de equipamento, cada Stelvio Quadrifoglio já com dono em Portugal corresponde a uma factura média de 125 mil euros. Isto apesar deste super SUV, com as especificações de série, ser proposto por 115.000€ – um preço substancialmente inferior ao actual Porsche Cayenne Turbo, com apenas 550 cv, que é comercializado por valores a partir de 188.500€.