Diogo Gaspar, antigo diretor do Museu da Presidência da República, foi acusado pelos crimes de abuso de poder, participação económica em negócio, tráfico de influência, falsificação de documento, peculato e branqueamento de capitais, avançou esta tarde o jornal Público, com base em nota da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.

O Ministério Público afirma que “está suficientemente indiciado que entre 2004 e 2016, o arguido que exercia funções no Museu da Presidência da República (MPR) utilizou a sua posição, funções e atribuições e para obter vantagens patrimoniais e não patrimoniais indevidas, em seu benefício e de terceiros”. 

Em 2016, o Ministério Público fez buscas na casa de Diogo Gaspar e apreendeu vários objetos pertences ao espólio do museu que coordenava (incluindo um retrato de Jorge Sampaio pintado pela pintora Paula Rego).

Segundo a acusação, Gaspar “elaborou uma lista de peças de mobiliário do Palácio da Cidadela de Cascais que classificou como “alienáveis”, a abater, invocando o seu estado de degradação ou falta de valor e considerando que a melhor proposta apresentada foi a da empresa de um outro arguido, logrou adquirir para si, pelo menos, 178 peças de mobiliário por valor inferior ao de mercado. A nota da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa refere ainda que Gaspar e os outros três arguidos utilizaram documentos que “não correspondiam à verdade” para  “ocultar a atuação criminosa”.

Diogo Gaspar foi condecorado a 16 de fevereiro de 2016 com o grau de Cavaleiro da Ordem de Santiago, pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, pelo seu trabalho prestado como responsável do Museu da Presidência da República, desde o seu início, em 2001. Diogo Gaspar foi escolhido para o cargo pelo Presidente Jorge Sampaio, que também o condecorou. Esteve 12 anos à frente do Museu da Presidência da República.