Austeridade

António Costa ao NYTimes: “Não passámos do lado escuro para o lado luminoso da Lua”

402

A política da Geringonça mereceu a atenção do The New York Times: "Portugal ousou livrar-se da austeridade. Está a ter uma grande retoma". Costa diz que ainda não passou "para o lado luminoso da lua".

NUNO VEIGA/LUSA

A melhoria da situação económica em Portugal despertou a atenção de Liz Alderman, antiga editora de economia do International Herald Tribune, agora correspondente-chefe do The New York Times para a Economia na Europa, a partir de Paris. A jornalista lembrou os passos dados para reverter os efeitos da crise desde que António Costa tomou posse em 2015 e referiu-se à eleição de Mário Centeno para o Eurogrupo como uma “recompensa” de Bruxelas pelos resultados alcançados.

O que aconteceu em Portugal mostra que demasiada austeridade aumenta a recessão e cria um ciclo vicioso”, disse António Costa, citado pelo The New York Times. “Criámos um plano alternativo à austeridade, focando-nos num maior crescimento e em mais e melhores empregos.”

Ao contrário do que aconteceu na Grécia, com uma década de cortes nas despesas, a recuperação de Portugal teve um efeito benéfico no aumento de confiança das pessoas e das empresas.  “O gasto real com estímulo foi muito pequeno”, afirmou ao jornal João Borges de Assunção, professor da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais, da Universidade Católica de Lisboa. “Mas a mentalidade do país tornou-se completamente diferente e, de uma perspetiva económica, isso tem mais impacto do que a mudança real na política.”

“Portugal beneficiou muito depois dos anos duros que sofremos. A disposição está muito melhor do que antes e isso e importante para a economia”, concorda outro dos entrevistados, Jorge de Melo, recentemente apontado para CEO da Sovena.

Mas o salário mínimo português, de 580 euros, continua a ser o mais baixo da zona Euro. Além disso, o crescimento económico abrandou, os salários recuperaram, mas não aumentaram em relação ao período pré-crise, os trabalhadores em part-time continuam a ser mal pagos e as vulnerabilidades sociais mantêm-se, sublinha-se no artigo.

“Não passámos do lado escuro para o lado luminoso da Lua. Ainda há muito por fazer”, admitiu António Costa. “Mas quando começámos este processo muitas pessoas disseram que o queríamos atingir era impossível. Mostrámos que há alternativa.”

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: vnovais@observador.pt
Austeridade

Nunca tão poucos enganaram tantos /premium

Rui Ramos
2.381

Em 2016, disseram-nos que a austeridade era uma página, e que estava virada. A austeridade, porém, não é uma página. É um livro inteiro, de que já ninguém lembra o princípio e ninguém sabe o fim.

Austeridade

Quem semeia mentiras colhe greves /premium

André Abrantes Amaral
881

Ao acreditarem que a austeridade era passado, a razão para tanta greve está na fúria de quem foi enganado. Por vezes mentir é mais popular, já quando chega a 'dolorosa' é que são elas.

Austeridade

Os custos das escolhas estão aí /premium

Helena Garrido
1.093

Todas as escolhas têm custos. Mesmo que à primeira vista não pareçam. Os custos das escolhas financeiras feitas pelo Governo estão agora visíveis na Saúde e nos Transportes, agravando as desigualdades

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)