Fogo de Pedrógão Grande

Presidente da Câmara de Pedrógão Grande assina petição contra alegadas fraudes

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Valdemar Alves vai assinar uma petição contra as alegadas fraudes na reconstrução das casas destruídas pelo fogo de Pedrógão Grande, em julho do ano passado. Autarca foi acusado de compadrio.

A petição que Valdemar Alves vai assinar conta já com a assinatura de mais de 3.800 pessoas

RUI MIGUEL PEDROSA/LUSA

O presidente do município de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, vai assinar uma petição contra alegadas fraudes com ajudas à reconstrução de casas destruídas pelo fogo de 2017, anunciou a autarquia. “Sendo desejo público e manifesto da presidência da Câmara de Pedrógão Grande o apuramento cabal das suspeições levantadas por certos setores na atribuição daqueles apoios”, Valdemar Alves “quer publicamente declarar” a sua adesão à iniciativa, o que fará esta segunda-feira, às 17h, numa sessão extraordinária da Assembleia Municipal em que o assunto será discutido.

Em comunicado, a Câmara Municipal adianta que o autarca, eleito há um ano em listas do PS, após ter ascumprido um primeiro mandato pelo PSD, toma esta posição “a par de outras” já assumidas, “como seja a comunicação à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), o envio, com o pedido de averiguação, ao Ministério Público e, mais recentemente, a convocação da Comissão Técnica do REVITA”, com o mesmo objetivo.

Mais de 3.800 pessoas já tinham assinado até esta segunda-feira a petição pública na Internet contra alegadas fraudes na reconstrução de habitações naquele concelho do distrito de Leiria. Subordinada ao título “Petição contra a fraude nos apoios a Pedrógão Grande”, a iniciativa de cidadãos encabeçada por Luís Miguel Figueiredo é promovida pelo movimento político Democracia 21, cuja fundadora, Sofia Afonso Ferreira, surge em segundo lugar na lista de subscritores.

Com a sua assinatura, Valdemar Alves pretende manifestar apoio à petição pública “no sentido de se proceder a um inquérito parlamentar para apuramento das dúvidas em torno da atribuição de apoios para a reconstrução de casas ardidas” no ano passado no concelho, segundo a nota. “Um movimento de cidadãos que tenta ser partido político, a partir de elementos identificados como dissidentes do PSD, denominado Democracia 21, tem promovido o referido abaixo-assinado”, refere, indicando que aquela organização “deseja realizar uma ação de recolha de assinaturas” em Pedrógão Grande durante a reunião da Assembleia Municipal desta segunda-feira.

O presidente da Câmara, antigo profissional da Polícia Judiciária, “aproveitará a ocasião para publicamente manifestar o apoio àquele abaixo-assinado, assim como todas as demais eventuais futuras iniciativas que tenham o mesmo sentido, assinando a petição”, e convida os dirigentes do Democracia 21, a estarem presentes para “poder assim publicamente proceder à subscrição” da petição.

Valdemar Alves terá sido, segundo a reportagem da TVI sobre alegadas fraudes na reconstrução de casas destruídas pelo incêndio de julho do ano passado, um dos responsáveis pela recuperação de casas de segunda habitação como se fossem de primeira. De acordo com o canal de televisão, a autarquia de Pedrógão Grande terá sugerido aos habitantes que alterassem as moradas fiscais de modo a conseguirem recuperar casas que não estavam habitadas com dinheiro dos donativos. A acusação foi feita por vários populares, que admitiram à TVI terem sido incentivados pelo autarca e pelo vereador Bruno Gomes a alterar a morada. Grande parte dos beneficiários deste esquema serão familiares dos presidentes das juntas locais ou de funcionários da própria Câmara Municipal de Pedrógão Grande.

Está a ser convocada, para esta segunda-feira à tarde, uma manifestação pela demissão do executivo da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, que deverá decorrer antes da Assembleia Municipal na Casa da Cultura de Pedrógão. Entre as exigências feitas pelos organizadores do projeto no evento do Facebook, conta-se a demissão de Valdemar Alves  “pela corresponsabilidade nas consequências do incêndio de 17 de junho de 2017, inerentes às suas competências e atribuições nos termos da Lei 65/2007 e das quais não se pode eximir tenha ou não delegado funções”.

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