“Consigo arranjar-lhe um emprego se atravessar a rua”, garantiu Emmanuel Macron a um jovem jardineiro desempregado que o abordou durante um evento cultural, que decorreu no Palácio do Eliseu, no domingo. O presidente francês aconselhou o jovem a procurar o emprego noutras áreas, provocando fortes críticas, da extrema-direita à extrema-esquerda.

Macron perguntou ainda ao jovem desempregado se estava inscrito nos centros de emprego. “Sim, mas não há nada”, respondeu. O jovem acrescentou que já tinha feito várias candidaturas que não tinham “dado em nada” e afirmou que tinha, inclusivamente, contactado as câmaras municipais, também sem sucesso.

“Se estiver pronto e motivado, em hotéis, cafés, na restauração… ou na construção! Não há lugar nenhum onde quer que eu vá que não me digam que estão à procura de pessoal. Nem um!”, assegurou o presidente, citado pelo Le Figaro. Macron continuou, afirmando que “existem trabalhos que requerem certas capacidades”, mas que “quando as pessoas não têm essas capacidades, os empregadores treinam-nas”. “Depois disso, existem imensos empregos… Tem que ir! Agora, hotéis, cafés, restaurantes, se atravessar a rua, consigo-lhe arranjar-lhe um emprego! Só querem pessoas que estejam dispostas a trabalhar, com os constrangimentos da profissão”, reafirmou.

O momento foi captado em vídeo e partilhado no Twitter por um jornalista do Le Figaro.

A intervenção do presidente foi fortemente criticada — e por todos os quadrantes políticos. O partido da extrema-direita Frente Nacional considerou que as palavras de Macron evidenciam “até que ponto está desligado da realidade”. Já o deputado Eric Coquerel, membro do partido de esquerda France Insumisa, acusou o presidente de “desprezo de classe insuportável”. “No fundo, é sempre a mesma lenga-lenga liberal que quer responsabilizar os desempregados pela sua situação, sob a forma de um desprezo de classe insuportável”, acrescentou.

A taxa de desemprego em França é, atualmente, de 10%, valor que fica acima da média europeia (7,1%). Entre os jovens, a situação é ainda pior: um quarto dos franceses com menos de 25 anos estão no desemprego. Estima-se que três milhões de pessoas estejam à procura de emprego em França.

Emmanuel Macron tentou tornar o mercado de trabalho mais flexível, com medidas que facilitam as contratações e despedimentos. Uma medida que foi recebida com protestos pelos franceses.