Numa carta revelada este sábado pelo advogado de Christine Blasey Ford, a mulher que afirma ter sido violada pelo nomeado por Donald Trump para o cargo de juiz do Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos da América, vai — afinal — prestar declarações no Senado, mesmo sem antes se avançar com uma investigação.

Na carta, o advogado afirma que está “desapontado com as fugas de informação e com o bullying que têm manchado o processo” e pede para negociar com o Comité para Questões Judiciárias do Senado as condições da audiência, avança o Los Angeles Times. Depois de ter ficado em stand-by, a escolha do dia para a prestação de testemunho, ficou confirmado que a alegada vítima vai ser ouvida “na próxima semana”

A possível audição de Ford tem atrasado a votação para o novo juiz. O senador Charles E. Grassley chegou a deixar um ultimatum até esta sexta-feira para a investigadora na Universidade de Palo Alto se pronunciar. Depois do pedido dos advogados de Ford, o senador acabou por alargar o prazo para a tomada de uma decisão para este sábado.

A questão tem dividido republicanos e democratas no comité. Tendo Kavanaugh sido escolhido por Donald Trump para se sentar no lugar que vai vagar no Supremo Tribunal, há muita pressão política por parte dos democratas para fazer cair a nomeação. Estes têm apoiado as pretensões de Ford de testemunhar segundo as suas condições, como ter apenas uma câmara durante a audiência, sem a presença de canais de televisão.

O caso polémico começou a 16 de setembro, depois de ter sido revelado o nome da mulher que acusa Kavanaugh. A investigadora tinha, em julho, enviado uma carta à senadora democrata Dianne Feinstein com as alegações. Segundo a acusação de Ford, em 1982, quando tinha 15 anos e Kavanaugh tinha 17, o nomeado a juiz do Supremo prendeu-a a uma cama, subiu para cima dela e tentou tirar-lhe a roupa. Segundo a alegação, este estava bêbado e tentou impedi-la de gritar, tapando-lhe a boca.