“Espero sinceramente que o que quer que seja que lhe aconteceu não tenha sido doloroso e que tenha sido rápido. Ou que ele tenha tido uma morte em paz.” Abdullah Khashoggi, 33 anos, deu este domingo a sua primeira entrevista televisiva depois da morte do seu pai, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, a 2 de outubro, no consulado saudita na Turquia. Abdullah e o irmão Salah, 35 anos, pediram a devolução dos restos mortais de Jamal para que a família possa finalmente fazer o funeral.

“Tudo o que queremos agora é enterrá-lo no cemitério Al-Baqi, em Medina (Arábia Saudita) com o resto da família”, sublinhou Salah, que contou na entrevista transmitida na CNN já ter falado com as autoridades sauditas sobre o assunto. “Só espero que aconteça rapidamente.”

As últimas notícias dão conta de que o jornalista terá sido estrangulado assim que entrou na representação diplomática da Arábia Saudita em Istambul, tendo sido posteriormente desmembrado. Os restos mortais de Khashoggi, segundo o jornal turco Sabah, terão sido depois divididos por cinco malas e retirados do consulado. A informação viria a ser confirmada pelo procurador-chefe turco responsável pela investigação do caso.

Um homem “corajoso”

Os filhos de Jamal Khashoggi retratam o pai como um homem “corajoso, generoso e muito corajoso”, uma descrição que não bate certo com a de um islamita perigoso pintada pelo príncipe saudita bin Salman. Esse lado do pai, acreditam, não corresponde à realidade e está a ser difundida com objetivos políticos.

“Muitas pessoas aparecem agora a tentar reivindicar o seu legado, e infelizmente muitas delas estão a usá-lo de uma forma política com a qual não concordamos”, defendeu Salah. “Jamal era uma pessoa moderada. Gostava de toda a gente. Tinha diferenças e valores em comum com toda a gente”, acrescentou, dizendo que o seu pai era um homem genuíno.

“As pessoas estão a fazer análises que nos podem estar a levar para longe da verdade”, disse ainda Salah, o filho mais velho do jornalista, já que diz estar a receber informação contraditória pela imprensa.

“As nossas fontes são as mesmas que as vossas. É um mistério. E isto está a colocar um peso muito grande em cima de nós — de todos nós. Toda a gente anda em busca de informação, tal como nós. E as pessoas pensam que temos respostas, mas infelizmente não temos”, concluiu Salah Khashoggi.