Rádio Observador

Assalto em Tancos

Comissão de inquérito a Tancos arranca a 14 de novembro

Parlamento decidiu que a comissão de inquérito parlamentar ao assalto aos paióis de Tancos começa na próxima semana. Ministro da Defesa não comenta discurso de Marcelo no domingo.

PAULO NOVAIS/EPA

A data para a tomada de posse da comissão parlamentar de inquérito ao caso Tancos ficou definida na reunião desta terça-feira dos líderes parlamentares. No dia 14 de outubro, desta quarta-feira a uma semana, às 17 horas a comissão será empossada e os partido têm até esta sexta-feira para indicarem os nomes dos deputados que os vão representar no inquérito que vai apurar as responsabilidades políticas no assalto aos paióis de Tancos.

A informação foi confirmada ao Observador pelo líder parlamentar do CDS, partido que propôs a constituição desta comissão de inquérito e que se opôs à ideia inicial — que chegou a ser avançada na conferência de líderes — de esperar pelo fim do processo orçamental para só então avançar. Nuno Magalhães entende que “tendo em conta a exposição do caso” o inquérito deve começar já.

Normalmente os trabalhos parlamentares ficam suspensos enquanto o Parlamento debate o Orçamento do Estado e ainda falta toda a discussão da especialidade que só terminará a 29 de novembro, data da votação final global do Orçamento para o próximo ano.

O inquérito a Tancos começa, assim, dez dias antes dessa data, com os partidos a terem de indicar até ao final desta semana quais os deputados que vão estar no inquérito parlamentar. Já são, no entanto, conhecidos os coordenadores do PSD, Bloco de Esquerda e CDS: Berta Cabral, João Vasconcelos e Telmo Correia, respetivamente. Na comissão, o PSD estará ainda representado por José Matos Rosa, Rui Silva, Carla Barros, Joana Barata Lopes, Fátima Ramos e Bruno Vitorino. Já o CDS terá na comissão de inquérito os deputados António Carlos Monteiro e Álvaro Castelo Branco.

A presidência da comissão ficará a cargo de um socialista, o deputado Filipe Neto Brandão. A comissão de inquérito foi aprovada aprovada com os votos favoráveis do CDS, do PSD, do PS, do BE e do PAN e com a abstenção do PCP e do PEV.

Do caso Tancos já resultaram demissões de peso, caso do ministro da Defesa Azeredo Lopes e também do chefe de Estado Maior do Exército, Rovisco Duarte. Estas são duas das audições que alguns partidos já indicaram como incontornáveis neste inquérito. O CDS também deixou em aberto a possibilidade de vir a pedir um depoimento do primeiro-ministro sobre o caso, no âmbito da investigação parlamentar, e António Costa já mostrou estar disponível para responder.

O caso tem suscitado alguma tensão nos últimos dias, com declarações cruzadas do Presidente da República e do primeiro-ministro. Ainda ontem, António Costa veio dizer que “o senhor Presidente da República, aliás, não se tem cansado de expressar publicamente a sua ansiedade e o Governo, naturalmente, deve ser mais contido em expressar a sua ansiedade, mas não é menor”. E a Presidência emitiu uma nota a desmentir que tivesse conhecimento ou documentos relativos ao encobrimento do assalto.

Ministro da Defesa sem palavras para Marcelo sobre Tancos e confiante nas Forças Armadas

O ministro da Defesa Nacional nunca pronunciou a palavra “Tancos”, esta terça-feira, nem conjugou o verbo “furtar”, mas garantiu a sua confiança e “a dos portugueses” nas Forças Armadas, “esteio da soberania nacional e da democracia em Portugal”.

“Estou ciente da dureza que os últimos meses têm sido para esta instituição. A nossa confiança mantém-se plenamente nas Forças Armadas”, afirmou João Gomes Cravinho na abertura do ano académico 2018/2019 do Instituto da Defesa Nacional (IDN), em Lisboa, dando como exemplo notório o “apreço dos portugueses” na cerimónia do centenário do armistício, no domingo, que incluiu um desfile militar.

No final da sessão no IDN, a que assistiu o ex-Presidente da República Jorge Sampaio, o ministro passou pelos jornalistas sem comentar o discurso do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, precisamente no domingo.

O Presidente da República e comandante supremo das Forças Armadas afirmou que não será tolerado o uso da instituição militar para “jogos de poder”, num discurso na cerimónia que assinalou os cem anos do armistício da I Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918.

Durante quase 20 minutos, o ministro da Defesa falou sobre as missões das Forças Armadas em Portugal e no Mundo e insistiu que “são hoje tão essenciais como em qualquer momento do passado”.

Após a posse como ministro da Defesa Nacional, a pós a saída de Azeredo Lopes, João Gomes Cravinho afirmou, em 29 de outubro, que está a trabalhar com o Chefe do Estado-Maior do Exército na identificação do que “correu mal” no caso de Tancos e espera apresentar “em breve” o resultado dessa avaliação.

“O caso de Tancos é evidente que representa uma situação que correu mal, que está a ser corrigida e eu estou a trabalhar com o CEME na identificação daquilo que correu mal e na assunção de todas as lições que se podem aprender desse caso”, declarou.

O furto de material militar dos paióis de Tancos foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017.

Artigo atualizado com as declarações do ministro da Defesa

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rtavares@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)