A Catalunha acordou hoje com dezenas de estradas cortadas por grupos radicais de separatistas que protestam contra a realização de uma reunião esta manhã em Barcelona do Conselho de Ministros espanhol. Entre as vias de comunicação cortadas estão as autoestradas que ligam a esta Comunidade Autónoma espanhola a Madrid e a França, assim como as entradas mais importantes da capital catalã.

As imagens em direto na maior parte das televisões mostram várias dezenas de pessoas com bandeiras independentistas e placas a dizer “ministros fora” em várias vias de comunicação, que nalguns casos fogem à chegada da polícia para voltarem a cortas a estrada noutro local.

Esta situação contrasta com o reinicio das conversações entre o Governo central e o executivo regional independentista decidido na quinta-feira à noite numa reunião entre o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, e o presidente catalão, Quim Torra.

O local onde se vai realizar o Conselho de Ministros, no centro de Barcelona está rodeado de medidas de segurança excecionais, com vários milhares de polícias convocados para garantir a segurança dos participantes. O grupo radical separatista denominado Comités de Defesa da República (CDR), conhecidos pela realização de ações contra a ordem pública, como o corte de vias, convocou através das redes sociais os seus fiéis à “batalha” para impedir a reunião.

Por seu lado, o movimento cívico independentista Ómnium Cultural anunciou a realização de um “Conselho Popular de Ministros” como forma de protesto “pacífico”.

A associação separatista ANC (Assembleia Nacional Catalã) também lançou um apelo aos seus militantes para bloquear com os seus veículos as ruas de Barcelona e marcou uma grande manifestação para as 18:00 (17:00 em Lisboa).

O processo de independência da Catalunha foi interrompido em 27 de outubro de 2017, quando o Governo central espanhol decidiu intervir nessa Comunidade Autónoma na sequência da realização de um referendo de autodeterminação organizado pelo executivo regional independentista em 01 de outubro do mesmo ano, que foi considerado ilegal.

As eleições regionais, que se realizaram a 21 de dezembro de 2017, voltaram a ser ganhas pelos partidos separatistas que continuam a defender a criação de uma República independente.Lusa/Fim