Ambiente

Neutralidade carbónica em 2050 significará menos 60 milhões de barris de petróleo por ano

O ministro do Ambiente afirma que todos os setores da economia portuguesa terão que contribuir para a redução das emissões, com destaque para a produção de energia, indústria e agricultura.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes (ao centro), perante a Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação

TIAGO PETINGA/LUSA

O ministro do Ambiente afirmou esta terça-feira que o cumprimento do roteiro para a neutralidade carbónica, que tem 2050 como meta, representará uma “redução drástica” de 70 milhões para 10 milhões de barris de petróleo que Portugal tem que importar anualmente.

Falando numa audição na comissão parlamentar de Ambiente, João Pedro Matos Fernandes referiu que o roteiro, que está em consulta pública, só pode antecipar cenários futuros, mas que toma como certo que é possível que em 2050 Portugal produza apenas tantos gases com efeito de estufa, como dióxido de carbono, quanto o seu coberto vegetal consiga absorver.

O social-democrata Hugo Coimbra questionou o ministro sobre a falta de “ações reais” no roteiro, sublinhando que podia ter surgido mais cedo e que parece “uma mostra de boas intenções para adornar o fim da legislatura”.

O deputado do PSD considerou que o mandato de João Pedro Matos Fernandes à frente do Ambiente está a acabar e que “deixa muito a desejar” porque não deixa “uma única reforma” ao cabo de uma legislatura em que “o Bloco de Esquerda parecia controlar” as opções da tutela.

A bloquista Maria Manuel Rola lamentou que no governo se mantenha “a influência dos hidrocarbonetos”, mesmo com a vontade de atingir a neutralidade carbónica. Defendeu que a redução dos preços dos passes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto deveria ser alargada a todo o país.

Patrícia Fonseca, do CDS-PP, indicou que os parceiros setoriais se “queixaram de não terem sido ouvidos” para a elaboração do roteiro, criticando a opção do governo pela “mitigação” das emissões carbónicas, como a aposta na mobilidade elétrica, “esquecendo bastante a necessidade de adaptação”, em que há “uma grande ausência de ambição”.

A comunista Ângela Moreira alertou que no roteiro se prevê a redução da criação de gado bovino, um setor em que há atualmente “1,7 milhões de cabeças” na pecuária portuguesa, e que isso terá consequências “na vida e rendimento” de quem dele depende.

João Pedro Matos Fernandes indicou que “todos os setores” da economia portuguesa terão que contribuir para a redução das emissões, com destaque para a produção de energia (reduzindo em 98%), indústria (72%), e que à agricultura caberá uma redução de 20%. “As trajetórias das emissões dependem de diferentes cenários” e no roteiro não se apontam “metas políticas para a execução”, destacou.

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