A operação Marquês, que investigou o ex-primeiro-ministro José Sócrates, tem um “capítulo oculto” que só agora foi conhecido e que revela como a primeira denúncia de operações financeiras suspeitas de Sócrates partiu da Caixa Geral de Depósitos, logo em abril de 2013, que reportou a situação à Polícia Judiciária.

Este capítulo do processo é divulgado na edição do semanário Expresso (apenas disponível para assinantes do jornal) deste sábado que explica que consiste em mais de 500 páginas inéditas sobre o início do caso, quando ainda não havia uma investigação do Ministério Público. Só agora estas páginas foram incluídas nos autos do processo.

Em abril de 2013, a Caixa Geral de Depósito denunciou um esquema em que o ex-primeiro-ministro recebeu indiretamente, por via da sua mãe, mais de meio milhão de euros de um empresário da construção civil, Carlos Santos Silva. O relatório do banco público tem três páginas e nunca refere Sócrates pelo cargo, mas sim pelo nome completo e como engenheiro civil. Foi enviado a 12 de abril de 2013 para a Unidade de Informação Financeira da PJ:

Desconhecemos a racionalidade económica e financeira que está subjacente às transferências emitidas por Carlos Manuel Santos Silva, no valor de €600.000,00 para a conta de Maria Adelaide Carvalho Monteiro (funcionando esta como “conta de passagem”), a qual posteriormente transferiu de forma fracionada, num período de cerca de seis meses, a quantia de €450.000,00 para a conta de José Sócrates Pinto Sousa”, escreveu a CGD no relatório.

O jornal conta que este “capítulo oculto” — como lhe chama — foi agora enviado pelo procurador Rosário Teixeira para o Tribunal de Instrução Criminal, por exigência do juiz Ivo Rosa, para que possa estar já disponível na fase de instrução, cujas sessões arrancam esta segunda-feira.

O facto de a CGD ter denunciado o ex-primeiro-ministro foi noticiado pelo DN em 2014. Em 2017, quando saiu a acusação, foram conhecidos mais detalhes sobre a contribuição do banco público para o que viria a ser a Operação Marquês, como pode recordar neste especial:

Em outubro de 2017, Sócrates foi acusado de 31 crimes: três de corrupção passiva, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documento e três de fraude fiscal qualificada.