O Presidente francês, Emmanuel Macron, lamentou esta segunda-feira, no Cairo, as 11 mortes registadas desde o início da crise gerada pelo movimento contestatário “coletes amarelos2, mas salientando que nenhuma foi “vítima das forças policiais”.

“Lamento que 11 dos nossos concidadãos franceses tenham perdido a vida durante esta crise (…). Observei que muitas vezes perderam as suas vidas por causa da estupidez humana, contudo nenhuma foi vítima das forças policiais”, indicou o chefe de Estado francês numa conferência de imprensa com o seu homólogo egípcio Abdel Fattah al-Sissi.

Desde meados de novembro, que milhares de pessoas envergando “coletes amarelos” protestam contra as políticas sociais e fiscais do Governo. Em várias ocasiões, os protestos ficaram marcados por violentos confrontos entre manifestantes e forças policiais. “O que a França tem vivido há várias semanas é inédito e quero prestar homenagem ao profissionalismo das forças da ordem neste contexto”, salientou Macron.

A conferência de imprensa entre os dois chefes de Estado foi dominada pela situação dos direitos humanos no Egito, com o Presidente francês a lamentar a degradação da situação desde a visita de Abdel Fattah al-Sissi a Paris em outubro de 2017.

“Na França, é permitido expressar-se livremente (…). Na França, podemos dizer tudo. Às vezes dizemos muito contra o próprio país, o que eu lamento”, afirmou Macron, acrescentando, contudo, que é “a força da democracia”. “Existe no nosso país uma liberdade garantida pela Constituição, que é a liberdade de protestar. E nós pretendemos protegê-la”, acrescentou o Presidente francês.

No domingo, o Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que vai tirar “consequências profundas” do “grande debate nacional” com que espera resolver a crise gerada pelo movimento “coletes amarelos”, e que não resultará apenas em “medidas técnicas”.

“Levo muito a sério o momento que vivemos, não sei no que vai dar. O que sei é que vou tirar consequências profundas”, afirmou aos jornalistas na sua visita ao Egito. Segundo o chefe de Estado francês, “decisões muito profundas” vão ter de ser tomadas em “diferentes domínios”, e não apenas “medidas técnicas”.

Um “grande debate nacional” foi lançado no país, em torno de temas como a fiscalidade, a democracia, a ecologia ou a imigração, para responder aos protestos, que têm sido marcados por cenas de violência. Com este debate nacional, o Presidente francês pretende “transformar a cólera em soluções”. Para Emmanuel Macron, “é necessário sair” da crise através da “redefinição do projeto francês e do projeto europeu”.