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Rodrigo Maria, com 45 anos, perdeu nesta quarta-feira o estatuto clerical. Tal como explica a TSF, esta é a forma mais pesada da Igreja Católica punir um sacerdote. O padre foi acusado de abusar sexualmente de 11 mulheres, de lhes rapar a cabeça e de as alimentar a pão e água. Todas as vítimas tinham mais de 18 anos.

A investigação que provou que Rodrigo Maria era culpado foi coordenada pelo próprio Vaticano. As denúncias começaram em 2006, o que levou o padre a mudar de diocese várias vezes. O último sítio onde Rodrigo Maria esteve em funções foi na Ciudad del Este, no Paraguai.

O jornal brasileiro Folha de S. Paulo ouviu uma das vítimas. A freira, que falou sob anonimato, conta um episódio de 2014 quando, durante uma conversa no Skype, o padre se masturbou, situaçãoque, mais tarde, foi usada como prova na investigação do Vaticano. O historial de Rodrigo Maria é longo, havendo outros processos a decorrer na justiça, à margem das investigações do Vaticano.

O padre negou sempre as acusações e disse serem todas fruto de vingança por ser demasiado conservador. Este traço de personalidade também era visível no que toca à política. Rodrigo Maria era apoiante declarado do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. O padre chegou até a pedir, nas redes sociais, para se rezar uma Avé Maria para pôr fim ao comunismo, durante a campanha eleitoral das presidenciais brasileiras do ano passado.

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No início deste mês, o Papa Francisco admitiu pela primeira vez a existência de abusos sexuais de padres e bispos contra freiras. “É verdade. Há padres e bispos que fizeram isso. Devia ser feito mais [para o impedir]? Sim. E temos essa vontade? Sim.”, disse o chefe da Igreja Católica.