O Governo da Guiné Equatorial enviou informação ao Fundo Monetário Internacional (FMI), assegurando que já saiu da recessão económica em 2017 e que registou crescimentos de 7,3% nesse ano e de 3,4% em 2018.

A informação consta nas tabelas dos números oficiais enviados ao FMI ao abrigo da adesão ao programa avançado de disseminação de dados que o FMI encoraja os países a usar para promover a transparência nas contas públicas, e contraria os números que o FMI disponibiliza na sua página, que apontam para uma manutenção do crescimento económico negativo desde 2014 e até 2022.

Nos números consultados esta quinta-feira pela Lusa, a Guiné Equatorial diz que a sua economia registou uma contração de 6,8% em 2016, à semelhança das recessões dos três anos anteriores, e que registou expansões económicas desde então – os últimos dados disponíveis são os de 2018, não havendo previsão para este ano.

No entanto, consultando a página do FMI referente à Guiné Equatorial, constata-se que o Fundo aponta para crescimentos económicos negativos desde 2015 até 2023, só prevendo um crescimento positivo, de 1,5%, em 2024.

Assim, enquanto a Guiné Equatorial diz que em 2017 cresceu 7,3%, o FMI aponta para uma contração de 4,7%, e em 2018 o país diz que cresceu 3,4%, enquanto o FMI diz que o crescimento foi negativo em 5,7%.

O programa avançado de disseminação de dados (Enhanced General Data Dissemination System, no original) é uma plataforma de apresentação dos dados oficiais de cada país, com o objetivo de “servir de ponto único de publicação para os dados macroeconómicos essenciais sobre as contas nacionais, operações governamentais e de dívida, setor monetário e financeiro, e balança de pagamentos”, de acordo com o comunicado distribuído hoje ao final da tarde.

Estes dados, lê-se no comunicado, “dão colocados no site do Gabinete de Estatísticas Nacional, utilizando a Troca de Dados e Metadados Estatísticos”, e é acessível através de uma plataforma informática disponibilizada pelo FMI.

“Esta página contém ligações para as estatísticas publicadas pelos produtores oficiais de dados, nomeadamente o Banco Central dos Estados Africanos Centrais, o Instituto de Estatísticas Nacional e o Ministério das Finanças, Economia e Planeamento” da Guiné Equatorial, segundo o comunicado.

“A publicação de dados macroeconómicos essenciais através do site vai dar aos decisores políticos nacionais e acionistas internos e externos, incluindo investidores e agências de notação financeira, acesso fácil a informação que o FMI identificou como crítica para monitorizar as condições económicas e de políticas”, lê-se ainda no comunicado divulgado em Washington.

A Lusa já enviou questões ao FMI pedindo esclarecimentos sobre esta discrepância nos dados, mas não teve resposta até ao momento.