Os advogados dos quatro arguidos pediram esta quinta-feira a nulidade do processo, alegando incompetência do Tribunal de Instrução Criminal do Porto. O pedido acabou por ser indeferido, avança o Jornal de Notícias. Todos os arguidos foram identificados e os advogados estão neste momento a consultar o processo. Mesmo que o interrogatório comece ainda esta quinta-feira, o mais certo é arrastar-se durante esta sexta-feira, prosseguindo a partir das 10h.

Miguel Costa Gomes deverá ser o primeiro a ser ouvido, ainda que não seja certo que isso aconteça esta quinta-feira. Ao Observador, o advogado Nuno Cerejeira confirmou que os advogados dos quatro arguidos vão recorrer da decisão que recusou o pedido de nulidade do processo para o Tribunal da Relação do Porto.

Joaquim Couto, presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso; Manuela Couto, empresária e mulher daquele autarca; José Maria Laranja Pontes, presidente do IPO do Porto e Miguel Costa Gomes, presidente da Câmara Municipal de Barcelos são suspeitos de corrupção, tráfico de influências e de participação económica em negócio.

Os três homens passaram a noite nas instalações da Polícia Judiciária do Porto enquanto a empresária dormiu na cadeia de Santa Cruz de Bispo. Os quatro deram no Tribunal de Instrução Criminal do Porto às 14h20 desta quinta-feira. Chegaram em três carros separados: um para o autarca de Barcelos, outro para o presidente do IPO do Porto e um terceiro onde seguia o presidente da autarquia de Santo Tirso e a mulher.

A detenção destas quatro pessoas foi o culminar de uma operação da Diretoria do Norte da Polícia Judiciária (PJ). No centro deste caso está o casal Joaquim e Manuela Couto e a empresa de comunicação e marketing desta última. O primeiro é um histórico autarca do PS da zona do Norte e é atualmente presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso. A sua mulher é a líder de um pequeno grupo empresarial, o W Global Communication, que deterá a agência de comunicação e marketing Mediana — Sociedade Gestora de Imagem e Comunicação, Lda, além de outras quatro sociedades.

A PJ suspeita de que o casal terá agido em conluio — Joaquim Couto utilizaria a sua rede de influências no PS para que a empresa da mulher fosse beneficiada em processos de contratação pública.

Manuela Couto terá fechado, entre junho de 2017 e novembro de 2018, um total de 360 mil euros em contratos de serviços de comunicação e imagem com o IPO do Porto. Sempre por ajuste direto. A PJ do Porto suspeita de que uma parte destas adjudicações será uma alegada contrapartida pela influência de Joaquim Couto junto de Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Municipal de Matosinhos desde outubro de 2017, para que a filha do presidente do IPO do Porto, Marta Laranja Pontes, fosse escolhida como chefe de gabinete daquela autarca.

No caso da Câmara Municipal de Barcelos, estão em causa adjudicações à sociedade Mediana no valor de 1,1 milhões de euros entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2019. De acordo com o Público, a troca de favores entre o casal Couto e Miguel Costa Gomes tinha como objetivo aumentar a influência política do autarca barcelense. Nas escutas feitas às conversas entre as duas partes, o Governo de António Costa é referido.