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Nova Iorque

Surto de sarampo em Nova Iorque potenciado pela comunidade ortodoxa judia

Há uma campanha anti-vacinação, com mensagens falsas, destinada a mães judias. A ausência de vacinação contra o sarampo dentro da comunidade justifica que tenha a maior parte dos casos de Nova Iorque.

As crianças e jovens devem tomar duas doses da vacina tríplice, contra sarampo, rubéola e papeira

LYNN BO BO/EPA

O surto de sarampo em Nova Iorque, nos Estados Unidos, está a ser potenciado pelos elementos não vacinados da comunidade de judeus ortodoxos. A maior parte dos 566 registados desde setembro estão localizados nesta comunidade, refere o site oficial da cidade de Nova Iorque. Foi imposta a vacinação da comunidade e as crianças proibidas de ir à escola.

  • Mais de 500 casos registados
  • 34 pessoas hospitalizadas
  • 9 pessoas foram tratadas nos cuidados intensivos
  • Ainda não se registou nenhuma morte

A 9 de abril, o comissário da saúde ordenou que todos os adultos e crianças que vivem em determinadas zonas (identificadas pelos códigos postais) deveriam ser vacinados com a vacina tríplice (contra sarampo, rubéola e papeira), caso não tenham sido vacinados antes. Quem se recuse a levar a vacina pode ter de pagar uma multa de mil dólares (cerca de 888 euros), refere o jornal espanhol El Mundo, que contou 98 pessoas sancionadas.

Outra das medidas implementadas pela cidade de Nova Iorque prevê que todas as crianças e jovens, em idade escolar, que não tenham recebido as devidas doses da vacina contra o sarampo (um ou duas consoante a idade) sejam proibidas de frequentar a escola até que tomem as vacinas necessárias ou até que termine o surto da doença. Esta medida aplica-se a todas as crianças e jovens, mesmo que tenham uma justificação religiosa ou médica válida para não serem vacinados. De outubro até esta segunda-feira, tinham sido administradas mais de 27 mil doses a crianças e jovens com menos de 19 anos em Williamsburg and Borough Park.

“A minha mulher e eu vacinamos os nossos filhos e fizemo-lo antes de ser obrigatório”, disse ao El Mundo Matt Moas, um empresário que vive em Brooklyn com a família. Este homem de 33 anos deixou claro que nem toda a comunidade se opõe às vacinas. “São uma minoria, pessoas muito fechadas que vivem isoladas, mas que apesar de serem poucas, fazem muito ruído.”

Matt Moas não concorda que esta obrigatoriedade seja forma de resolver o problema, mas entende a preocupação dos responsáveis. “Aqui o que faz falta é mais educação, explicar aos pastores que não há riscos [da vacinação], não o fazer é muito perigoso porque é uma doença muito contagiosa.”

O grande problema é que parte da desinformação é veiculada exatamente pelos pastores, incluindo que estas vacinas causam autismo ou que têm ADN de macacos, ratos e porcos. A propaganda anti-vacinas também tem sido disseminada pelo grupo PEACH (Parents Educating and Advocating for Children’s Health), que tem tido como alvo as mães judias. “Têm andado a espalhar desinformação perigosa baseada em falsa ciência”, acusa Oxiris Barbot, comissário da saúde da cidade de Nova Iorque, citado pela BuzzFeed.

O rabino William Handler, uma das vozes mais polémicas contra as vacinas, disse que as medidas implementadas pela cidade de Nova Iorque servem para distrair as pessoas das doenças trazidas pelos imigrantes ilegais, usando, para o efeito, a comunidade judia.

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