O Terno

17h, palco Seat

O disco mais recente desta banda brasileira, que tem como vocalista e líder (oficial ou oficioso) Tim Bernardes, “é a obra-prima desta geração de bandas brasileiras”, escreveu o Observador no mês passado. Está tudo dito aqui? Não exatamente, é preciso dizer que “Pegando Leve” é uma das canções do ano (não só do Brasil), que “Bielzinho / Bielzinho” é samba-rock gostoso (como só no Brasil) e que O Terno é uma das melhores bandas do momento, ponto, não importa impor limites geográficos à declaração. Mas claro que a melodia e o chinelo no pé convivem aqui mesmo bem. Se não pensava ir tão cedo para o Parque da Cidade mude já de ideias, ou ainda se arrependa. Não é ameaça, é conselho — e quem avisa…

Big Thief

19h15, palco Seat

O palco Seat pode não ser o mais indicado para O Terno — não seria melhor ouvir estes rapazes  ao sol, num palco mais aberto e com árvores em volta, como o Super Bock ou (especialmente) o Pull and Bear? —, mas é indicado para os Big Thief. A hora também é boa, uma tarde que se encaminha para o fim, uma leveza de fim de dia que combina bem com a música outonal da banda norte-americana. O grupo, que tem Adrianne Lenker como guitarrista e vocalista (ela que também iniciou já uma carreira a solo), chegará a Portugal com um álbum novo para apresentar: U.F.O.F., editado no mês passado.

Jorge Ben Jor

19h50, palco NOS

Samba-rock, samba-funk e MPB — o acrónimo para Música Popular Brasileira, género musical específico que o nome à partida não denuncia de imediato —, Jorge Ben Jor fez um pouco de tudo, tantas vezes bem. Veterano da música brasileira, hoje com 74 anos, o guitarrista, compositor e cantor carioca terá muito para revisitar no Porto, em especial material dos anos 1970, década em que gravou álbuns como A Tábua de Esmeralda, Gil & Jorge: Ogum, Xangô e A Banda do Zé Pretinho. Haja ginga e capacidade de dar a volta à melancolia dos Big Thief: esta música pede dança.

Rosalía

22h10, palco NOS

Do núcleo de cabeças de cartaz do festival — além dela, também Solange, J Balvin, James Blake e Erykah Badu — será aquela sobre quem haverá mais expectativa. A espanhola é, deste quinteto, a artista que melhor cruza públicos distintos. Tem anticorpos, claro, mas é a mais capaz de agradar ao intelectual hipster, ao escritor progressista que gosta de música (valter hugo mãe, por exemplo, já assumiu que é fã), ao colega músico e ao fã da pop mais brega em simultâneo. Quem estiver este sábado no Parque da Cidade do Porto talvez possa dizer daqui a uns anos “eu estive lá e vi a Rosalía”, quem sabe. A voz afinada capaz de cantar tudo e mais alguma coisa é evidente, o talento é notório por mais que nem todos lhe o reconheçam e a mistura entre pop viciante que cativa massas e os ritmos tradicionais que Rosalía estudou e de onde provém musicalmente (o flamenco, desde logo) é original, goste-se mais ou menos do resultado.

Neneh Cherry / Low

23h30, palco Pull and Bear / 23h20, palco Super Bock

De um lado estão os Low, banda experimental com um merecido culto pelo que fez e lançou desde os anos 1990, que vai ao Porto apresentar um novo álbum que a crítica ouviu e gostou: Double Negative. Do outro lado está Neneh Cherry, cantora sueca que já experimentou várias abordagens musicais desde o final dos anos 1980 mas que se rodeou recentemente de um compositor e produtor musical de excelência, Four Tet, com quem gravou dois álbuns que a crítica também ouviu e gostou. Talvez aqui o melhor seja atirar uma moeda ao ar ou, tendo hipótese e vontade disso, espreitar um bocadinho de cada concerto.

Erykah Badu

0h30, palco NOS

O primeiro disco (Baduizm) virou logo os holofotes sobre si. Já lá vão mais de 20 anos, mas a qualidade da música, os discos seguintes e a nostalgia do passado garantida sempre (invariavelmente) pela passagem do tempo tornaram Erykah Badu numa boa cabeça de cartaz de um festival. No caso do NOS Primavera Sound é mais do que isso, é uma grande cabeça de cartaz, até porque o último concerto em Portugal aconteceu há já sete anos e há muita gente por aí compreensivelmente com saudades. Voltar a ouvir aquele caldeirão onde cabem a soul, o funk e o R&B, depois de um período longo de ausência das gravações e das digressões europeias, dificilmente não será um prazer.