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Corrupção

Ex-presidente do Sudão vai à procuradoria para conhecer acusação

O ex-presidente do Sudão, Omar al-Bashir, está preso e é indiciado de vários crimes de corrupção. Depois da diligência foi levado novamente à prisão.

O ex-presidente do Sudão, Omar al-Bashir, está indiciado da posse de divisas estrangeiras, corrupção e receção de prendas de forma ilegal

KIM LUDBROOK/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O ex-presidente do Sudão, Omar al-Bashir, foi este domingo levado à a procuradoria responsável por casos de corrupção em Cartum, a primeira aparição em público após a sua destituição pelas Forças Armadas, em abril. O antigo homem forte do Sudão foi transportado desde a prisão por uma coluna de veículos militares e membros das forças de segurança fortemente armadas, referiu a agência noticiosa AFP e foi informado da acusação que lhe é imputada.

“O acusado Omar al-BAshir foi […] informado das acusações que lhe são dirigidas, pela posse de divisas estrangeiras, corrupção e receção de prendas de forma ilegal”, indicou aos jornalistas um responsável da procuradoria, Aladdin Dafallah.

As atas de acusação foram lidas a Al-Bashir na presença do seu advogado, segundo este responsável, e o indiciado regressou à prisão no fim de alguns minutos.

No poder desde 1989 após dirigir um golpe de Estado, Al-Bashir foi destituído e preso pelos militares em 11 de abril em Cartum, sob pressão do inédito movimento de contestação desencadeado em dezembro pela triplicação do preço do pão.

Na quinta-feira, a agência noticiosa oficial sudanesa Suna tinha anunciado que Al-Bashir estava indiciado por “posse de divisas estrangeiras, aquisição de riquezas de forma suspeita e ilegal e de ter ordenado o estado de emergência”.

Em 21 de abril, o general Abdel Fattah al-Burhane, chefe do conselho militar de transição no poder desde a destituição de Omar al-Bashir, afirmou que o equivalente a mais de 113 milhões de dólares (100 milhões de euros) foram apreendidos em dinheiro na residência do presidente deposto, em Cartum.

Al-Bashir é ainda alvo de inquéritos judiciais pela morte de manifestantes durante a repressão da contestação e de mandados de detenção pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) que pretende que responda por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra pelo conflito no Darfour (oeste), que segundo a ONU provocou cerca de 300.000 mortos.

Os militares no poder já referiram, no entanto, que não pretendem entregá-lo ao TPI.

Após a queda de Omar al-Bashir, milhares de manifestantes permanecem mobilizados e mantêm uma concentração frente ao quartel-general do exército em Cartum, exigindo que os militares cedam o poder aos civis.

Em 03 de junho, este protesto foi disperso segundo testemunhas por homens armados com fardas militares. A repressão prosseguiu durante vários dias.

De acordo com um novo balanço hoje divulgado por um comité de médicos, 128 pessoas foram mortas desde 03 de junho. As autoridades referiram-se a 61 mortos.

“Trabalhamos intensamente para enviar para enforcamento os que fizeram isso”, disse hoje o número dois do regime, general Mohammed Hamdan Daglo, designado “Hemeidti”.

Este general esteve na liderança das Forças de apoio rápido (RSF), paramilitares acusados pelos líderes da contestação e Organizações Não Governamentais de estarem na origem da violenta dispersão.

“Em relação à dispersão da concentração, não vamos desiludir-vos, nem desiludir as famílias dos mártires”, assegurou num discurso transmitido pela televisão pública.

Na quinta-feira, o Conselho militar lamentou pela primeira vez os “erros registados” durante a dispersão, mas assegurou não ter ordenado a repressão e precisou que o objetivo da operação era outro.

O porta-voz do Conselho militar, general Chamseddine Kabbachi, afirmou que o objetivo inicial consistia em expulsar os elementos “criminais” num setor designado Colombia, perto do local do protesto.

“A operação de Colombia foi planificada pelas autoridades militares e de segurança”, indicou na noite de sábado o Conselho militar em comunicado.

“Sublinhamos a nossa vontade de obter toda a verdade, passo a passo, através da nossa comissão de inquérito”, acrescentou, numa referência à investigação desencadeada pelos militares.

No sábado, o porta-voz da comissão de inquérito, Abderrahim Badreddine, indicou que o seu relatório não estava terminado, mas revelou as conclusões preliminares, onde se refere que “oficiais e soldados entraram no local do ‘sit in’ sem ordem dos seus superiores”.

No entanto, no Sudão e no estrangeiro multiplicam-se os apelos para um inquérito independente. Hoje, o chefe do Conselho militar recebeu o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit.

O Sudão regista uma das mais elevadas taxas mundiais de corrupção e está colocado no 172.º lugar, entre 180 países, segundo o relatório 2018 da Transparancy International.

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