O diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Lezíria disse esta segunda-feira que a colocação de 10 médicos de família a partir do início de julho garantirá cobertura total dos cerca de 200.000 utentes da região.

Carlos Ferreira afirmou que nos centros de saúde abrangidos pelo ACES Lezíria vão ser colocados nove médicos do concurso para os clínicos que concluíram o internato em medicina geral e familiar, tendo ainda sido colocados mais dois no concurso de mobilidade, do qual resultou a saída de um outro.

Do concurso de mobilidade, um médico será colocado no centro de saúde de Almeirim e outro no da Chamusca (de onde sairá o clínico que pediu colocação noutra zona do país), enquanto do concurso para colocação de ex-internos dois serão colocados em Rio Maior, dois em Salvaterra de Magos, um em Almeirim, um em Santarém, um na Chamusca, um no Cartaxo e um em Alpiarça.

Tendo em conta que cerca de 20.000 utentes da região não têm médico de família atribuído, estando a cobertura a ser assegurada por prestadores de serviços (colocados apenas em locais onde exista pelo menos um especialista em medicina geral e familiar, para “fazer o enquadramento”), a entrada destes clínicos permitirá uma “cobertura universal”, salientou.

Carlos Ferreira afirmou que está a ser equacionada uma solução para a situação dos cinco médicos cubanos colocados na região há quase uma década, ao abrigo do programa de intercâmbio criado então pelo Governo para resolver a carência de médicos de família no país, e que, entretanto, se integraram na comunidade.

Considerando este “um problema de ordem ética e moral que tem que ser gerido”, o diretor executivo do ACES Lezíria afirmou que em setembro se iniciará uma “experiência piloto” em Santarém com um destes médicos que passará a acompanhar a equipa da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) e irá garantir o atendimento aos 400 utentes da freguesia de Alcanede (no norte do concelho) que não têm médico de família.

“Custa, a pessoas que já têm família, estão bem integradas, dizer que já não precisamos delas”, salientou, afirmando que o objetivo é integrá-los nas equipas das UCC da região.

Carlos Ferreira afirmou que, com os mais de 300 médicos de família que vão ser colocados em todo o país, a falta de cobertura da população “vai deixar de ser um problema”.

“Estamos a dar a volta”, disse, considerando que a “muita formação” feita nos últimos anos nesta especialidade pode vir a fazer com que comece a haver desemprego em medicina geral e familiar a breve prazo.

O ACES Lezíria cobre os concelhos de Almeirim, Alpiarça, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém, todos do distrito de Santarém.