José e Vicky, os pais de Julen Jimenez, o bebé de dois anos que morreu num poço, em Málaga, acusam o proprietário do terreno de os ameaçar constantemente, depois de ter sido acusado de homicídio por negligência pelo Ministério Público espanhol.

David Serrano vai ser julgado pelo crime, apesar de afirmar que foi ele próprio a cobrir o poço com tijolos com cerca de 13,5 quilos, depois de o empresário responsável pela perfuração não o ter feito. O empresário, António Sánchez, tem uma versão diferente daquela que David Serrano apresentou e será ouvido no processo enquanto testemunha.

Julen. As contradições do dono do terreno e tio do bebé de dois anos que morreu no poço

Segundo Vicky, a mãe de Julen, depois de conhecida a decisão do Ministério Público espanhol, os insultos e perseguições à família têm aumentado. “Quando vou ao cemitério tenho medo, porque sempre que me vê insulta-me”, explica a mãe de Julen ao El Español.

Também o pai de Julen confirma a teoria da mulher. José diz que “várias foram as vezes em que encontrou a mulher a chorar porque se cruzou com algum familiar que a insultou”.

A família acusa ainda David Serrano de acelerar o carro a fundo e aumentar o volume da música sempre que passa na rua da casa onde vivem.

David Serrano desmente pais de Julen

“Lamento muito o que estão a passar. Sei que é uma situação difícil sobretudo para eles, mas daí a insultar alguém… Quem me conhece sabe que é mentira. Ninguém tem que ter medo de mim”, afirma David Serrano remetendo os “boatos” para serem esclarecidos por quem lhe é mais próximo.

A defesa de David Serrano já recorreu da acusação feita pelos tribunais espanhóis, argumentando que David alertou o pai de Julen para o facto de “existirem várias prospeções de poços no terreno, que podiam estar abertas”.

Segundo o recurso, a acusação “omite a análise de circunstâncias e cenários que podem ser essenciais para ilibar o suspeito”. A defesa do dono do terreno pede que seja revogada acusação de dia 1 de julho e declarada a continuidade do processo de averiguações.

Destroçada ou amaldiçoada? A história da família de Julen, o menino que morreu num poço em Málaga