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Crime

El Chapo deverá ficar na “prisão de todas as prisões” norte-americanas. Quem serão os seus vizinhos?

De acusações de terrorismo ao tráfico de droga e espionagem, 'El Chapo' deverá ficar na prisão mais segura dos Estados Unidos e vai partilhar o edifício com alguns dos reclusos mais perigosos dos EUA.

É neste edifício que estão alguns dos reclusos considerados mais perigosos e condenados a sentenças mais graves, quer por crimes semelhantes aos de ‘El Chapo’ — tráfico de droga e violência de cartel — quer por outros crimes como terrorismo e espionagem

AFP/Getty Images

Joaquin ‘El Chapo’ Guzmán foi esta quarta-feira condenado a pena de prisão perpétua e mais 30 anos de prisão e deverá ficar naquela que é considerada a prisão mais segura dos Estados Unidos (aquela de onde nunca nenhum recluso conseguiu fugir), uma vez que o narcotraficante já conseguiu escapar duas vezes de prisões mexicanas. A United States Penitenciary Administrative Maximum Facility — “Supermax” ou “ADX Florence” — fica no Colorado e é descrita como “uma versão de alta tecnologia do inferno” e “a prisão de todas as prisões”, conta o USA Today.

Apesar de ainda não ser confirmado que será esta a prisão onde Guzmán irá mesmo ficar, há poucas cadeias nos Estados Unidos que tenham condições para receber pessoas com um passado como o de ‘El Chapo’. “Tendo em conta o seu historial de fuga, a ADX Florence é provavelmente o edifício mais seguro que eles têm”, confirmou Martin Horn, antigo comissário do departamento de correção de Nova Iorque em declarações à Quartz.

É neste edifício que estão alguns dos reclusos considerados mais perigosos e condenados a sentenças mais graves, quer por crimes semelhantes aos de ‘El Chapo’ — tráfico de droga e violência de cartel — quer por outros crimes como terrorismo, atentados e espionagem.  Mas há também reclusos que foram transferidos para lá por motivos disciplinares. Guzmán deverá ficar numa solitária durante 23 horas por dia e numa cela onde não tem qualquer contacto com os vizinhos do lado nem com o mundo exterior. Até porque cada cela tem uma pequena e estreita janela com vista para o céu, ou seja, os reclusos não se conseguem ver uns aos outros, nem preparar qualquer plano de fuga em conjunto. Estes são alguns dos criminosos que se encontram na ADX Florence.

Ted Kaczynski

Condenado a prisão perpétua por envio de pacotes-explosivos

Em 1978, Theodore John Kaczynski, conhecido como “Unabomber”, enviou pacotes-explosivos artesanais para universidades, empresas, casas e companhias aéreas dos Estados Unidos, matando três pessoas e ferindo outras 23. Foram precisos 17 anos para as autoridades conseguirem capturá-lo, naquela que foi a investigação mais longa e mais cara do FBI. Mas a sua história começa antes. Em 1969, Kaczynski decidiu abandonar abruptamente a sua carreira de professor de matemática na Universidade de Harvard e adotou um estilo de vida primitivo, isolado da sociedade, mudando-se para uma cabana no meio da floresta, sem água nem eletricidade e iniciando uma campanha contra a tecnologia moderna.

Na opinião de Kaczynski, era necessário chamar à atenção para o desaparecimento da liberdade e da dignidade humana que, no seu tender, o surgimento das tecnologias modernas tinham trazido e que exigiam uma organização massiva. Nem que isso implicasse mortes. Em 1995, já depois dos ataques, Kaczynski enviou uma carta ao The New York Times e ao The Washington Post onde prometia “desistir do terrorismo” se os dois jornais norte-americanos publicassem o seu ensaio “A Sociedade industrial e o seu Futuro”, onde criticava a Revolução Industrial e a tecnologia moderna. Nesta altura, Kaczynski ainda estava a ser procurado pelas autoridades.

Em 1998, depois de se declarar culpado de todas as acusações, Kaczynski foi condenado a prisão perpétua, sem possibilidade de sair em liberdade condicional (GettyImages)

Uns meses mais tarde, o artigo foi mesmo publicado e os dois jornais argumentaram que tudo foi autorizado pelo FBI e que tinha como objetivo ajudar à identificação do “Unabomber”. A sua identidade foi apenas conhecida porque o seu irmão, David Kaczynski, reconheceu algumas expressões de Kaczynski no ensaio que escreveu e fez a denúncia. Em 1998, depois de se declarar culpado de todas as acusações, Kaczynski foi condenado a passar a vida na prisão, sem possibilidade de sair em liberdade condicional.

Dzhokhar Tsarnaev

Condenado a pena de morte pelo duplo atentado da maratona de Boston

Dzhokhar Tsarnaev é um ex-estudante universitário muçulmano de 21 anos e de origem chechena que participou no duplo atentado ocorrido durante a maratona de Boston, em 2013. No dia 15 de abril, Tsarnaev e o seu irmão colocaram duas bombas perto da linha da meta desta maratona, provocando três mortos e mais de 250 feridos.

O jovem vivia há bastante tempo nos Estados Unidos e aparentemente não mostrava sinais de não se sentir integrado. Após os atentados, os dois irmãos fugiram da polícia, mas as autoridades acabaram por seguir-lhes o rasto. O seu irmão Tamerlan foi morto e Tsarnaev conseguiu fugir, tendo sido encontrado dentro de um barco, em Watertown.

Dzhokhar Tsarnaev foi um dos responsáveis do duplo atentado na maratona de Boston, em 2013 (FBI via Getty Images)

Em 2015, Tsarnaev falou pela primeira vez em público desde o atentado para pedir desculpas às vítimas. “Gostaria de, agora, pedir desculpas às vítimas, aos sobreviventes”, disse em tribunal, momentos antes de conhecer a sentença oficial. “Estou arrependido pelas vidas que tirei, pelo sofrimento que vos causei, pelos estragos que fiz, estragos irreparáveis”, acrescentou. Dzhokhar Tsarnaev foi considerado culpado de 30 crimes, incluindo conspiração e uso de armas de destruição maciça e condenado à pena de morte, estando ainda à espera de cumprir essa sentença.

Zacarias Moussaoui

Condenado a prisão perpétua por ajudar a planear o 11 de setembro de 2001

Em 2006, Zacarias Moussaoui foi condenado a uma pena de seis prisões perpétuas, sem possibilidade de liberdade condicional, por ser um dos responsáveis pelo planeamento dos ataques do 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington. O cidadão francês de 49 anos tinha sido preso pelo FBI em agosto do mesmo ano por violar a lei da imigração e já tinha levantado suspeitas por ter entrado numa escola de pilotagem para aprender a pilotar um Boeing 747 (um dos maiores aviões de carreira) sem que nunca antes tivesse pilotado qualquer outro tipo de avião.

Em dezembro de 2001, três meses depois do atentado, Moussaoui acabou por ser acusado de seis crimes relacionados com o planeamento dos ataques do 11 de setembro de 2001 (Sherburne County Sheriffs Office/Getty Images)

Em dezembro de 2001, três meses depois do atentado, Moussaoui acabou por ser acusado de seis crimes: conspiração para atos terroristas, conspiração para piratear aeronaves, conspiração para destruir aeronaves, conspiração para utilizar armas de destruição maciça, conspiração para assassinar funcionários norte-americanos e conspiração para destruir propriedades. Inicialmente, o francês tinha sido condenado a pena de morte, mas a justiça norte-americana decidiu recuar na sentença e aplicar a pena de seis prisões perpétuas.

No ano passado, Zacarias Moussaoui queixou-se das condições na prisão mais segura dos Estados Unidos, alegando que sofre “tortura psicológica” por estar completamente isolado na sua cela.

Richard Reid

Condenado a prisão perpétua por tentar detonar explosivo em avião

Richard Reid é conhecido como o “bombista do sapato”. Em dezembro de 2001, durante um voo para Miami com 197 passageiros, tentou detonar um explosivo que estava escondido nos seus sapatos, mas o seu plano falhou quando uma das hospedeiras de bordo o apanhou a tentar acender um fusível escondido no sapato. Reid foi imediatamente impedido de o fazer pelos passageiros e foi sedado por dois médicos que estavam naquele voo. O avião aterrou de emergência em Boston e o homem foi preso de imediato.

Reid é um cidadão inglês, nascido nos subúrbios de Londres, e as autoridades acreditam que quando era mais novo foi para o Paquistão e Afeganistão para ser treinado como membro do Estado Islâmico. Mas ainda antes deste crime já tinha alguns antecedentes criminais.

Richard Reid foi condenado a três penas de prisão perpétua e a 110 anos de prisão (Plymouth County Jail/Getty Images)

Em 2002, Richard Reid declarou-se culpado de oito crimes federais de terrorismo, tendo sido condenado a três penas de prisão perpétua mais 110 anos de prisão sem direito a sair em liberdade condicional.

Terry Nichols

Condenado a prisão perpétua por ser cúmplice do atentado em Oklahoma

Nas celas da prisão mais segura dos Estados Unidos está também Terry Nichols, um americano de 64 anos que foi condenado a pena de prisão perpétua por ser cúmplice do atentado de Oklahoma, em 1995, que provocou a morte de 168 pessoas e mais de 600 feridos. Terry cresceu no Michigan, era um rapaz tímido e não gostava da escola, mas chegou a estar na Universidade de Michigan durante um ano. Depois, regressou à sua terra para ajudar o seu pai, que se tinha divorciado.

Em 1988, Terry Nichols ingressou no exército, onde conheceu Timothy McVeigh. Mais tarde, falhou os testes para entrar nas Forças Especiais e, por isso, desistiu da vida militar, tendo mesmo renunciado à cidadania norte-americana em 1992. Numa carta que enviou a uma agência estatal, Nichols escreveu: “Já não sou mais um cidadão do estado politicamente corrupto do Michigan e dos Estados Unidos”.

Terry Nichols foi condenado a prisão perpétua por ser cúmplice do ataque que matou 168 pessoas em Oklahoma (Bureau of Prisons/Getty Images)

Juntamente com Timothy McVeigh, partilharam visões anti-governo e foram juntos a exibições de armas. No início de 1994, prepararam o plano para fazer explodir o edifício federal Murrah, em Oklahoma, aproveitando o conhecimento de Nichols quanto ao fabrico de bombas artesanais. Até à véspera do ataque, Terry Nichols ajudou em todo o planeamento, mas disse ao amigo que não queria estar envolvido no dia do bombardeamento. E assim foi. No dia da explosão, Nichols estava em casa com a família, no Kansas, mas rendeu-se imediatamente ao ser abordado pelas autoridades.

Eric Rudolph

Condenado a prisão perpétua por um conjunto de ataques à bomba em Atlanta e Birmingham

Eric Robert Rudolph foi considerado o responsável por um conjunto de quatro bombardeamentos em Atlanta e Birmingham (no Parque Olímpico, numa clínica, numa discoteca gay e numa clínica de mulheres) entre 1996 e 1998, que provocaram quatro mortos e centenas de feridos. A ideia de Rudolph, contam os meios de comunicação internacionais, passava por fazer uma campanha contra o aborto e a homossexualidade.

Eric Rudolph confessou a autoria dos quatro crimes e foi condenado a pena de prisão perpétua e mais 120 anos de prisão sendo /Getty Images)

Desde a altura destes ataques que o norte-americano passou a ser procurado pelo FBI, tendo até estado incluído na lista dos dez homens mais procurados, sendo oferecida uma recompensa de um milhão de dólares para quem o encontrasse. Em 2003, Eric foi capturado pelas autoridades, mas negou a autoria dos bombardeamentos.

Dois anos depois, Eric Rudolph decide confessar a autoria dos quatro crimes, sendo condenado a pena de prisão perpétua e mais 120 anos de prisão. Mais tarde, o norte-americano pediu desculpa pelo atentado no Parque Olímpico, não se mostrando arrependido de levar a cabo os restantes três ataques.

Robert Hanssen 

Condenado a prisão perpétua por espionagem para a União Soviética/Rússia

Robert Philip Hanssen era um agente do FBI quando em 1979 (e até 2001) começou a fazer trabalhos de espionagem a mando da antiga União Soviética e depois da Rússia. Em troca, recebeu pagamentos de cerca de 1,4 milhões de dólares em dinheiro e diamantes.

Até 1985, ninguém sabia da dupla vida de Hanssen sem ser a sua mulher, que cinco anos antes descobriu documentos confidenciais e tentou convencê-lo a parar a atividade de espionagem. Em 2000, o FBI identificou Hanssen através de uma impressão digital numa cassete fornecida por um antigo funcionário russo e começou a seguir os passos do norte-americano, que um ano depois foi transferido para “um escritório obscuro do FBI”, como descreve a CNN.

Robert Hanssen foi preso depois de ser apanhado a fazer uma entrega de documentos confidenciais, tendo sido indiciado de 21 crimes de espionagem para a União Soviética/Rússia. (FBI/Newsmakers)

Em fevereiro de 2001, Robert Hanssen foi preso depois de ser apanhado a fazer uma entrega de documentos confidenciais, tendo sido indiciado de 21 crimes de espionagem para a União Soviética/Rússia. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos descreve este caso como “o pior desastre de serviços secretos na história americana”, uma vez que  Hanssen vendeu milhares de documentos secretos à União Soviética e à Rússia nos quais estavam expostos detalhes sobre a estratégia norte-americana em caso de guerra nuclear, o desenvolvimento de tecnologia e outros aspetos dos serviços norte-americanos.

Em julho, Hanssen declarou-se culpado de 15 acusações de espionagem e conspiração e, em troca, o governo não lhe aplicaria pena de morte. Robert Hanssen foi condenado a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional e argumenta que o que o levou a fazer espionagem não foram motivos políticos ou ideológicos, mas sim o retorno financeiro que isso proporcionava.

Juan Garcia Abrego

Condenado a prisão perpétua por participar em cartel de tráfico de droga

Juan Garcia Abrego deverá ser outro “vizinho” de ‘El Chapo’ e partilha uma história semelhante à do narcotraficante: foi preso em 1996 pelas autoridades mexicanas e, mais tarde, foi extraditado para os Estados Unidos para ser julgado por envolvimento num esquema de importação de cocaína e por participação numa organização criminosa.

Também mexicano, Juan Abrego tentou subornar os oficiais mexicanos e norte-americanos para conseguir aumentar o poder do seu cartel na distribuição de droga nos Estados Unidos — incluindo Houston, Dallas, Chicago, Nova Iorque, Florida e Califórnia – e foi acusado de crimes como lavagem de dinheiro e participação em organizações criminosas.

Garcia Abrego foi considerado culpado de todos os 22 crimes de que estava acusado, tendo sido condenado a 11 penas de prisão perpétua e ao pagamento de uma quantia de 350 milhões de dólares, correspondentes aos lucros ilícitos que gerou com o negócio.

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