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PS aprova listas de deputados. Costa anuncia renovação, mas aposta em caras conhecidas e candidata quase metade do atual Governo

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Comissão Política Nacional do PS aprovou por 88% as listas às legislativas. Costa saudou o cumprimento de 40% da quota de género. Diz que renovou face a 2015, mas há 45% de candidatos bem conhecidos.

O líder socialista juntou a comissão política do partido, em Lisboa, para aprovar a lista de candidatos às legislativas de outubro

MÁRIO CRUZ/LUSA

O PS votou esta terça-feira à noite as listas de candidatos a deputados nas legislativas de outubro, numa reunião da Comissão Política Nacional do partido, na sede de Lisboa. De acordo com fonte oficial do partido, as listas apresentadas por António Costa no início da reunião têm uma renovação de candidatos, face a 2015, na ordem dos 56% — mas as caras não são propriamente novas já que há quase 30 atuais governantes em lugares previsivelmente elegíveis. Nas contas do Observador, mais de 45% do Governo (que tem 62 membros, entre ministros e secretários de Estado) está nas listas que foram aprovadas por 88% do órgão de direção do PS. A eleição foi feita por voto secreto.

No final da reunião, o presidente do partido Carlos César disse que “este processo que agora se conclui habilita o PS, como nenhum outro partido — estando dotado de um programa baseado numa experiência de Governo bem-sucedida e na vontade de inovar e acolher novos contributos e novas pessoas — para prosseguir de forma vitoriosa com a confiança dos portugueses”.

Renovação ou “A tua cara não me é estranha”?

No total, são 28 os membros do atual Governo que Costa chamou para as listas de candidato a deputados. O ministro das Finanças Mário Centeno é o número cinco por Lisboa — esteve para ser cabeça de lista por Faro, mas acabou num lugar mais discreto –, o ministro João Pedro Matos Fernandes é o número três pelo Porto, onde couberam outros governantes como Ana Paula Vitorino, José Luís Carneiro ou Isabel Oneto. Mas é mesmo em Lisboa que mais membros do Executivo aparecem: além de António Costa, Mariana Vieira da Silva (ministra da Presidência), Graça Fonseca (Cultura), João Gomes Cravinho (Defesa) e os secretários de Estado Fátima Fonseca, Ana Sofia Antunes e Miguel Cabrita.

Na lista de Setúbal, liderada por Ana Catarina Mendes, entra Eduardo Cabrita — que não é cabeça de lista acabando por ficar protegido dos holofotes e dos cartazes de campanha num período que é mais sensível para quem está à frente da Administração Interna, tendo em conta os incêndios — , Ricardo Mourinho Félix (o número dois de Centeno nas Finanças) e ainda o secretário de Estado da Energia, João Galamba — que experimenta o terceiro círculo eleitoral diferente desde que concorre a deputado, depois de Santarém e Coimbra. Aparece em quarto na lista.

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, encabeça Aveiro, Marta Temido (Saúde) Coimbra, Capoulas dos Santos repete por Évora, Ana Mendes Godinho (Turismo) na Guarda, Alexandra Leitão por Santarém, José Apolinário (Pescas) em Faro, Tiago Brandão Rodrigues (Educação) volta a avançar por Viana do Castelo, João Paulo Rebelo (Desporto) por Viseu, João Torres (Habitação) no Porto, Augusto Santos Silva (Negócios Estrangeiros) vai por Fora da Europa, José Mendes (Mobilidade) por Braga, Eurico Brilhantes Dias em Castelo Branco, e Maria do Céu Albuquerque por Santarém.

No discurso inicial que abriu a reunião, António Costa frisou estarem cumpridos os 40% de género tanto no geral das listas como ao nível dos cabeças de lista. E reconheceu que as duas listas mais complicadas de gerir foram as de Braga e da Guarda. Na primeira, Sónia Fertuzinhos é cabeça de lista, tal como tinha avançado o Observador, e na Guarda será Ana Mendes Godinho — a lista proposta pela federação foi chumbada pela comissão política distrital o que levou a uma demissão.

Braga não gostou de ver Costa alterar o que tinha sido proposto e vota contra as listas

A lista de Braga foi avocada pelo líder socialista, ou seja, aquela que foi votada na comissão política distrital foi depois substancialmente alterada por Costa, o que levou mesmo a críticas do líder da distrital no decorrer da comissão política. Joaquim Barreto anunciou o voto contra uma lista que disse ter sido imposta por Lisboa, segundo contou ao Observador fonte presente na reunião socialista. As mudanças introduzidas pelo líder acabaram por colocar, por exemplo, na lista por Braga a líder da JS, Maria Begonha, um cargo que normalmente costuma ir pela lista de Lisboa — tradicionalmente a lista, por excelência, do secretário-geral do partido. Além disso, o líder impôs a cabeça de lista Sónia Fertuzinhos e também o secretário nacional para a organização, Hugo Pires, e ainda José Mendes, secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade. Ainda assim, Barreto prometeu lealdade a Costa na campanha eleitoral, garantindo que será diretor de campanha pelo distrito.

Não foi a única crítica que se ouviu ao longo da noite. Um dos elementos da UGT criticou o facto de não constarem das listas quaisquer nomes ligados à central sindical. A resposta chegaria pela voz do Presidente do partido, Carlos César, que desvalorizou a ausência de candidatos da UGT e da CGTP-IN com o argumento de que o PS “tem nas suas listas personalidades que são pessoas sindicalizadas, que têm um domínio em matérias laborais”. Depois acrescentou: “Nesta legislatura, discutimos um pacote sobre legislação laboral e ele não foi necessariamente discutido por sindicalistas. Foi discutido por deputados que têm uma especialidade nestas áreas. Isso aconteceu e voltará a acontecer”, garantiu.

Também no início da reunião, o habitual crítico da direção de Costa, Daniel Adrião, anunciou o voto contra as lisas apresentadas.

Este artigo foi atualizado ao longo da reunião do PS

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