Mário Centeno, ministro das Finanças, admite que os salários poderão crescer e o IRS descer na próxima legislatura, mostrando-se ainda disponível para manter o cargo.

Em entrevista ao Jornal de Negócios, o governante adianta que, caso as condições macroeconómicas se mantenham — acredita que os dois meses consecutivos de taxa de inflação negativa são um bom indicador para 2020 — poderá haver “espaço para aumentos salariais um pouco mais alargados do que aqueles que existiram no ano passado [só para ordenados muito baixos]”.

Por outro lado, Mário Centeno revelou que poderá haver lugar para uma redução de IRS para os que menos beneficiaram com as alterações aos escalões, beneficiando a classe média.

A [alteração do IRS] de 2018 foi muito centrada nos muito baixos salários. Os grandes ganhos foram aí e depois foram anulados ao longo da distribuição, fazendo com que a partir de um determinado nível de rendimentos já não haja ganhos. Neste momento temos de olhar precisamente para essa gama de rendimentos”, esclarece o ministro.

Já em relação ao IVA, o ministro não garante ser possível a passagem dos 23% para 21% proposta pelo PCP,  pois seria “preciso saber como é que se financia essa medida”. O mesmo se aplica ao IRC: “Temos feito múltiplas medidas, muito focadas. Não nas taxas transversais, mas na dimensão fiscal do apoio ao investimento, ao reinvestimento de lucros”, disse, esclarecendo ainda que  “as propostas eleitorais têm de ser muito focadas”.

A previsão do ministro das Finanças é que a despesa em juros seja menor que a estimativa inicial. “É resultado da gestão da dívida e dos impactos maiores do que o esperado dos pagamentos ao FMI [Fundo Monetário Internacional]”, refere. A credibilidade de Portugal no mercado poderá ficar reforçada uma vez que Centeno garante que se está “a preparar um novo pagamento às instituições europeias, também antecipado”.

Disponível para continuar com a pasta

Mário Centeno está disponível para manter o cargo de ministro das Finanças na próxima legislatura. Mas, para já, a meta é outra: “Terminar o mandato como presidente do Eurogrupo”. E, depois de avanços e recuos sobre uma possível candidatura ao FMI, Centeno afirma em entrevista ao Jornal de Negócios que tal não passa pelos seus planos futuros.

O primeiro-ministro António Costa revelou, em entrevista à SIC na quarta-feira, que Centeno já se tinha oferecido para continuar à frente do Eurogrupo. “Esta é a melhor resposta que pode ser dada”, afirmou Costa, em sintonia com a entrevista de Mário Centeno àquele jornal. ” Sou presidente do Eurogrupo, tenho como objetivo terminar o mandato como presidente do Eurogrupo se o resultado das eleições de 6 de outubro assim o permitir”, declarou o ministro das Finanças. O mandato de Centeno é válido até junho de 2020.

Se para Mário Centeno a avaliação dos últimos quatro anos está nas mãos dos portugueses — “Primeiro, vamos obviamente pedir a opinião dos portugueses sobre esta legislatura e isto dará o resultado das eleições. A partir daí, veremos” — o próprio adianta-se na atribuição das notas, elogiando a ação do seu Governo e afirmando que Portugal tem hoje uma estabilidade financeira “incomparável” com aquela que tinha em 2015. “A estabilidade é a nota dominante”, acrescenta.

Como sabem, sou candidato a deputado e estive envolvido na preparação do programa do PS. Quatro anos depois, todos conseguimos avaliar a razoabilidade e a credibilidade dessas propostas”, disse ainda Centeno.

O ministro das Finanças fala ainda numa “transformação muito significativa” em Portugal e espera que o país “possa manter as linhas de evolução que tem tido nos últimos anos”.