No dia 22 de novembro de 1963, por volta das 12h30, Robert McClelland estava a mostrar aos seus internos no Parkland Memorial Hospital, em Dallas, um vídeo sobre como reparar uma hérnia do hiato quando o chamaram para a sala de emergência, dois pisos abaixo. Quando as portas do elevador se abriram, ele e o colega depararam-se com vários homens fardados, incluindo aquele que fora atingido a tiro. O médico ainda vislumbrou Jackie Kennedy, sentada ao fundo, com as roupas ensanguentadas. Não houve tempo a perder: era preciso salvar o presidente dos EUA, que momentos antes fora baleado quando seguia na parte de trás de um veículo que percorria as ruas de Dallas.

O relato é feito pela publicação The Economist, que dá conta que Robert McClelland, o médico que tentou salvar John Fitzgerald Kennedy, o 35º presidente dos EUA, mas também Lee Oswald, o homem que o matou, morreu aos 89 anos no passado dia 10 de setembro.

A história de como tentou salvar Kennedy e Oswald era conhecida entre os pares de Robert McClelland, que a terá contado “umas 8000 vezes” sempre de forma não dramática. Na sala de emergência, naquele 22 de novembro, deparou-se com as feridas “certamente fatais” de Kennedy  — incluindo a parte de trás da cabeça que tinha “desaparecido” — e tentou, ainda assim, salvá-lo. A história como hoje a conhecemos confirma que tal não foi possível. Kennedy foi declarado morto às 13h. Tinha 46 anos. O relatório foi escrito numa única folha de papel, a roupa que o médico usou ficou ensanguentada e foi para lavar, mas a T-shirt suja ficou guardada numa caixa.

Reanimar pacientes não era a especialidade de McClelland — mas sim a cirurgia hepato-pancreato-biliar, como as seis décadas seguintes mostraram — e, ainda assim, o médico teve de repetir o feito dois dias depois, quando Lee Harvey Oswald, detido por ter assassinado Kennedy, foi baleado e deu entrada no Parkland Memorial Hospital. Mais uma vez, era claro que as feridas eram fatais, mas McClelland fez o lhe competia e durante 40 minutos ele e a equipa presente massajaram o coração do homem de 24 anos. Nem Oswald nem Kennedy sobreviveram.

A publicação The Economist acrescenta que o médico foi, em vida, muitas vezes questionado sobre os esforços para salvar Oswald. A resposta vinha dividida em duas: não só era o seu trabalho, como Oswald tinha sido acusado e não condenado. Além disso, McClelland não acreditava que Oswald tivesse agido sozinho. Não sendo especialista em física ou balística, formou a sua opinião enquanto cirurgião: no dia em que tentou reanimar o ex-presidente dos EUA, McClelland viu que a ferida no pescoço podia ser de entrada ou de saída, mas que a da cabeça era claramente de saída, o que sugeria a existência de diferentes atiradores.

O médico sempre recusou especular além disso, sendo que outros detalhes ficaram por explicar. Robert McClelland morreu a 10 de setembro aos 89 anos. A causa foi insuficiência renal.