O comentador da SIC, Luís Marques Mendes, considerou no domingo que a recusa dos partidos de esquerda em deixar os deputados únicos intervirem no debate quinzenal, que ocorre esta semana, mostra “falta de respeito pela democracia, hipocrisia e medo”.

No habitual espaço de comentário televisivo, Marques Mendes frisou que a justificação dada pelos partidos — de que só podem falar aqueles que têm grupo parlamentar — é uma “desculpa de mau pagador“, lembrando que na legislatura anterior o PAN não tinha grupo parlamentar, mas, numa exceção à regra, foi autorizado a falar. “Porque é que se abriu uma execução ao PAN e não se abre para o Chega!, Iniciativa Liberal e Livre?”, questionou.

Chega, Iniciativa Liberal e Livre sem tempo para intervir no debate quinzenal de quarta-feira

A crítica foi deixada depois de PS, Bloco de Esquerda, PCP e PEV não terem concordado que os pequenos partidos pudessem intervir nos debates, pelo menos até que seja criado um novo regimento que enquadre a situação dos partidos com deputado único.

Para Mendes, esta limitação é “falta de respeito pela democracia” porque “silencia os que foram eleitos pelos portugueses“. “É uma prepotência.” Além disso, mostra “hipocrisia”: defende o comentador, dizendo que “o PS sempre foi o partido da liberdade”, mas cortou a liberdade de intervenção; o Bloco, “que sempre se disse defensor de minorias”, acabou por discriminá-las; e o PCP, que se diz um partido da democracia, “nega” o seu exercício.

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“Parece que há medo do debate e do confronto. É desta maneira que o populismo vai crescendo. Depois não se queixem”, concluiu.

Marcelo lembra que “já há um precedente” sobre intervenções de deputados únicos no Parlamento

Já sobre as eleições no PSD, Marques Mendes adiantou que estas podem ter uma novidade: “podem ser eleições com duas voltas” porque há, neste momento, três candidatos. Com as novas regras, se ninguém conseguir obter 50% na primeira volta, poderá haver lugar a uma segunda. As diretas para eleger o presidente dos sociais-democratas realizam-se a 11 de janeiro.

“Em teoria, Rui Rio tem vantagem à primeira volta, mas pode não ser suficiente para chegar aos 50% pois tem reduzido a base de apoio”. Em caso de segunda volta, Luís Montenegro já pode sair beneficiado, mas adianta que o “ciclo pode ainda não estar fechado”, dado que Miguel Morgado “voltou à ideia de ser candidato”. 

Cenário em Espanha “não é brilhante”

As eleições deste domingo em Espanha, que terminarem com uma vitória do PSOE sem maioria absoluta, não mostram um cenário “brilhante” para o país, defendeu Marques Mendes. Segundo o comentador, estas eleições foram uma “espécie da segunda volta das eleições de abril“. Mas, “aparentemente, o bloqueio mantém-se“. “A dificuldade de formar governo continua a existir.”

Mendes nota que a subida do Vox, partido de extrema-direira “é bastante preocupante para a democracia”.

Eleições. Os três gráficos que mostram como fica Espanha

Uma possível terceira volta seria “inútil” politicamente “porque os espanhóis estão fartos de eleições” e, economicamente, porque a “economia já está em queda“. “Muito provavelmente vai surgir um movimentação da opinião pública no sentido de entendimento entre PSOE e o PP”, não para formar governo, mas no sentido de o principal partido da oposição “fazer um esforço, sob condições, para apoiar um governo minoritário do partido socialista”.

Os resultados são ainda negativos “para a resolução do problema da Catalunha”, que precisa de um poder político forte em Madrid.

Sobre a libertação do ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, Marques Mendes nota que haverá uma “radicalização da vida política no Brasil“. “Uma coisa é oposição a Bolsonaro sem Lula, outra é com Lula”, de quem se espera uma “oposição mais forte, veemente e mobilizadora” ao atual presidente do país.