O julgamento dos 22 adeptos do Benfica e do Sporting pelo atropelamento mortal de um adepto sportinguista italiano junto ao Estádio da Luz poderá ser adiado pela terceira vez e não começar em janeiro de 2020. É que entre os arguidos da Juve Leo estão dois acusados que também foram pronunciados no processo da invasão à Academia de Alcochete, e que começam a ser julgados segunda-feira.

Valter Semedo e Miguel Ferrão, ambos de 25 anos, vão ser julgados pelos crimes de participação em rixa e crime de dano com violência no caso do adepto italiano morto por atropelamento em 2017. Cerca de um ano depois e em liberdade, e enquanto decorria o processo, ambos terão participado na invasão à academia de Alcochete e foram pronunciados pelos crimes de ameaça, ofensa à integridade física, sequestro e crimes que são classificados como terrorismo.

O processo de Alcochete, assim conhecido, em que 44 arguidos respondem pelos mesmos crimes que estes dois arguidos, é considerado urgente por ter arguidos presos e tem já datas marcadas até janeiro. E algumas delas coincidem precisamente com as primeiras datas agendadas para o arranque do julgamento do grupo que vai responder pelo atropelamento mortal de Marco Fecini, em 2017.

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Este julgamento já esteve marcado para novembro de 2018, mas por “total impossibilidade do tribunal” acabou por ser adiado por mais de um ano, com o início previsto para novembro de 2019. No entanto, a juíza que ficou com o caso recebeu um outro processo com mais de 60 arguidos, considerado de especial complexidade, e foi obrigada a ditar o segundo adiamento do caso para 15, 22 e 29 de janeiro para “eventuais declarações dos 22 arguidos”. Marcou, ainda, audiências para 26 de fevereiro, 18 e 25 de março, 15, 22 e 29 de abril e para 6, 13 e 20 de maio — durante todo o dia.

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Problema: no caso de Alcochete estão também agendadas datas comuns em 2020. Foi disto que deu conta um dos advogados dos 44 arguidos ao processo. Mas, ao que o Observador apurou, a alteração terá que ser feita no caso mais antigo — uma vez que não existem arguidos presos. E não existem precisamente porque o prazo de prisão preventiva esgotou-se antes de ser proferida a decisão instrutória do caso.

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O processo, cujo julgamento está previsto para janeiro de 2020, conta com 22 arguidos, dez deles adeptos do Benfica com ligações aos No Name Boys e 12 da claque do Sporting, Juventude Leonina. Luís Pina, do Benfica, responde pelo crime do homicídio de Marco Ficini e de outros quatro homicídios, na forma tentada, enquanto os restantes arguidos foram acusados dos crimes de participação em rixa, dano com violência e omissão de auxílio.

Marco Ficini pertencia à claque do clube italiano Fiorentina, O Club Settebello, mas era também adepto do Sporting. Morreu atropelado junto ao Estádio da Luz (do Benfica), depois de um jogo entre o Benfica e o Sporting, em abril de 2017. As claques dos dois clubes entraram em confrontos. A família da vítima pede a onze dos 22 arguidos uma indemnização de cerca de 600 mil euros.

Segunda-feira começa no Tribunal do Monsanto o julgamento dos 44 arguidos pronunciados pelos crimes de ameaça, de ofensas à integridade física, sequestro, “crimes que são classificados como terrorismo”, segundo a decisão de instrutória. Respondem também pelos crimes de dano com violência, detenção de arma proibida e de introdução em lugar vedado ao público, quando irromperam na academia do Sporting e agrediram jogadores, treinador e equipa técnica.

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