Assunção Cristas decidiu não ir ao Congresso do Partido Popular Europeu (PPE) em Zagreb e preferiu concentrar-se em preparar o congresso da sua sucessão. Não houve Cristas, mas o primeiro vice-presidente, Nuno Melo, representou o partido e não gostou de ouvir Rui Rio a enaltecer o resultado de PS e PSD em plenário na quarta-feira. Sobre a referência de Rio ao socialistas, Nuno Melo disparou: “É normal. Rui Rio é presidente do PSD e não no CDS e cada um cita as pessoas que tem por mais próximas“.

Melo lamenta, ainda que não o diga diretamente, que Rio tenha falado dos 81% que PS e PSD têm na Assembleia da República sem contar com os deputados do CDS — parceiro no PPE — nessa maioria de estabilidade. O eurodeputado até percebe que Rui Rio queira ter dado “numa certa perspetiva europeísta” que estes “dois partidos ajudam, apesar de tudo em Portugal a segurar maiorias”, mas avisa: “O CDS é um dos partidos sempre do arco da governabilidade e não é nem mais nem menos pela situação que o dr.Rui Rio ou qualquer outro líder faça agora ou no futuro”.

Em declarações aos jornalistas na Croácia, Melo também falou sobre a ausência de Cristas e lembrou que “o CDS vive uma fase de transição”, em que a atual líder “já anunciou que não se recandidatará no próximo congresso.” O vice-presidente do CDS destaca que “o congresso está já em preparação e nesta nova fase fez mais sentido à presidente do partido manter-se em Portugal junto do grupo parlamentar, onde de resto se travam debates mais importantes do que cá”. Além disso, diz o eurodeputado, como ele próprio está a representar o CDS, o partido “não fica minimamente diminuído“.

Quanto à liderança do CDS, Melo — que já se afastou da corrida — diz apenas que estará no congresso e que o CDS “será do ponto de vista da sua liderança aquilo que os militantes, no caso os congressistas quiserem, e eu tenciono fazer parte dessa discussão”. O eurodeputado destaca que “o que virá depois ninguém sabe“, mas que o “importante é que o CDS seja um espaço de reflexão sobre o que aconteceu, uma oportunidade para encontrar uma boa solução em relação ao futuro e principalmente devolver o CDS a uma representação que seja relevante, à nossa dimensão”.

Para Melo é importante que, tal como o PPE é uma força política dominante na UE, “o CDS terá e será certamente capaz no futuro de encontrar o seu caminho e afirmar-se como uma força política que é muito relevante”. O eurodeputado acredita que, tal como fez após os maus resultados nos anos 80 e 90, o CDS tem capacidade para voltar a ser relevante e voltar mesmo a integrar governos.