A LVMH, o maior grupo de luxo do mundo, prepara-se para comprar a histórica marca de joias norte-americana Tiffany & Co. A aquisição foi oficializada esta segunda-feira e custará cerca de 14,7 mil milhões de euros à empresa que detém a Louis Vuitton, soma que traduz a proposta feita pelo milionário francês Bernard Arnault, CEO do grupo, de pagar cerca de 122 euros por ação.

No total, o grupo LVMH (Moët Hennessy – Louis Vuitton), é dono de 75 marcas, a maioria do segmento de luxo. Entre as mais conhecidas estão as maisons Louis Vuitton, Christian Dior, Givenchy, Fendi e Celine, mas também a cadeia Sephora, o icónico Le Bon Marché, em Paris, e o champanhe Moët & Chandon. Do lado da joalharia e relojoaria, o mesmo grupo detém ainda marcas como a Bulgari, a TAG Heuer e a Hublot.

Ao longo de décadas, a Tiffany & Co ficou conhecida pelo uso de diamantes e outras pedras preciosas. Este colar foi avaliado em mais de 150.000 dólares em março de 2015 © Getty Images

A casa, agora adquirida pelo grupo francês, foi fundada por Charles Lewis Tiffany, que, em 1837, abriu a primeira loja em Manhattan, Nova Iorque. Atualmente, a marca conta com 300 lojas, espalhadas pelo mundo, e com mais de 14.000 funcionários. “Temos um respeito e uma admiração imensos pela Tiffany e queremos desenvolver esta joia com a mesma dedicação e compromisso que demonstrámos em cada uma das nossas maisons“, indicou Arnault, em comunicado, citado pelo The Guardian, ele que ocupa o lugar de homem mais rico da Europa.

Com uma oferta de 14,7 mil milhões de euros para adquirir a Tiffany & Co, esta é oficialmente a aquisição mais cara do reinado de Arnault dentro da LVMH, que já dura há 32 anos. Com muito mais história, a marca de joias norte-americana tornou-se, há décadas, um selo fetiche para várias gerações. Conhecida pelos anéis de noivado, pelos diamantes e, claro, pelo filme de 1961 “Breakfast at Tiffany’s”, o nome converteu-se, só por si, num objeto de desejo. Contudo, a marca tem registado um abrandamento das receitas.

Bernard Arnault, o homem no comando da LVMH, completou 70 anos em março © Getty Images

Já o grupo LVMH, apesar de ser o maior conglomerado de marcas de luxo do mundo, não domina o mercado na área dos relógios e da joalharia, setor liderado pela suíça Richemont, proprietária da Cartier e da Montblanc, entre outras grandes marcas. Acredita-se que uma das intenções do grupo é, agora, reafirmar a presença e o prestígio da Tiffany, sobretudo do mercado asiático.

“Como parte do grupo LVMH, a Tiffany vai alcançar outro nível, capitalizando a sua impressionante experiência interna, a sua produção manual ímpar e os seus fortes valores culturais”, referiu Alessandro Bobliolo, atual diretor executivo da marca de joias. Em fevereiro deste ano, um dos tesouros da joalharia norte-americana veio a público, usada por Lady Gaga na cerimónia dos Óscares. A pedra, um diamante amarelo, foi avaliado em cerca de 30 milhões de dólares e tinha sido usado pela última vez por Audrey Hepburn, em 1961.

A aquisição da Tifanny & Co pelo grupo de Bernard Arnault estava iminente, depois de uma primeira abordagem por parte da LVMH, em outubro deste ano, que começou por oferecer pouco mais de 13 milhões de euros. A nova oferta satisfez ambas as partes. Espera-se que o negócio seja concluído em meados de 2020.