A Samsung anunciou na abertura do novo espaço no centro comercial Colombo, em Lisboa, que o Samsung Galaxy Fold vai estar em pré-venda em Portugal a partir de 6 de dezembro e chega oficialmente ao mercado a 23 do mesmo mês. É o primeiro smartphone com ecrã dobrável a chegar a Portugal. Contudo, sendo uma tecnologia nova, o preço é mais elevado do que o habitual: custa 2049 euros.

Depois de uma tentativa de lançamento falhada em maio, o Samsung Galaxy Fold foi lançado na Coreia do Sul a 6 de setembro. Posteriormente, a 18 do mesmo mês, chegou ao mercado dos EUA e outros países europeus, estando atualmente disponível na Dinamarca, Espanha, Finlândia, Polónia, Noruega, Suécia, Suíça, França, Alemanha e Reino Unido. Contudo, Portugal continuava a não aparecer nos planos da Samsung até esta terça-feira. Contudo, a versão 5G, ainda mais cara, não vai chegar ainda a Portugal.

O Galaxy Fold tem 12Gb de memória RAM e seis câmaras: três traseiras, uma no ecrã dobrado de 4,6 polegadas, e duas no ecrã desdobrado, de 7,4 polegadas. Ao contrário da concorrência direta, que utiliza apenas um ecrã para o modo aberto e fechado, o Galaxy Fold tem um ecrã exterior que funciona como os tradicionais, e um interior que pode ser desdobrado para uma espécie de “modo tablet”. O processador do equipamento de 7nm e a dupla bateria com um total de 4,380 milíampéres fazem o Galaxy mais rápido.

Apesar do preço, o equipamento tem incluído uma capa protetora em kevlar e uns Galaxy Buds e os auriculares sem fios da Samsung (que concorrem diretamente com o Airpods, da Apple, por exemplo).  A Samsung afirma também estar a montar “um serviço de concierge disponível 24 horas para que os consumidores possam falar sobre o Galaxy Fold” e promete  uma reparação da película do ecrã interior (um dos mecanismo que deu problemas inicialmente e atrasou o lançamento mundial do aparelho) durante o primeiro ano após a compra.

[Veja as imagens do Galaxy Fold lançado com o novo tipo de nova aposta de loja da Samsung]

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A chegada do primeiro dobrável a Portugal: “O consumidor português está a comprar equipamentos melhores”

A Samsung aproveitou o lançamento de um novo conceito de loja em Portugalem parceria com a Phone House, que chama de “Samsung Experience Store”, para lançar o Galaxy Fold no país. Contudo, não deixa de ser um equipamento com um valor superior a três ordenados mínimos juntos em Portugal. Sobre este ponto, José Correia, diretor de marketing da área mobile da marca, justificou ao Observador: “Gostávamos que todos os consumidores tivesse um Galaxy fold, mas isso não é possível (…) Disponibilizamos telefones para todo o tipo de consumidores”.

Relativamente à aposta em Portugal, o responsável português da empresa sul-coreana referiu também que “o mercado português está a ficar mais maduro e está a crescer muito à custa do segmento acima dos mil euros”. Contudo, segundo diz José Correia, não estão a ser vendidos mais telemóveis em Portugal, o que está a acontecer é que “o consumidor português está a comprar equipamentos melhores”. Qual a desvantagem para as marcas que querem vender produtos? Ao mesmo tempo, de acordo com declarações do diretor de marketing da Samsung, o público português já não troca de telemóvel com tanta regularidade.

Numa altura em que empresas como a Google já lançaram assistentes digitais a falar português europeu, a Samsung, que tem o assistente Bixby, diz estar “a trabalhar” para “em breve” fazerem a mesma aposta em Portugal. “Vamos continuar a ver a Samsung a apostar no mercado português”, promete José Correia. Filipe Loureiro, responsável de retalho da marca em Portugal, adiantou ainda que “em 2021” a Samsung espera ter uma loja de maiores dimensões — “300, 400 m2” — para incluir numa só superfície todo o tipo de produtos da marca, e não só produtos mobile.

Um lançamento que se desdobrou para acontecer

A Samsung revelou o Galaxy Fold em fevereiro, depois de o disponibilizar a alguns jornalistas norte-americanos, para que o analisassem antes do lançamento oficial, prática corrente na imprensa tecnológica. Foi nesta altura que começaram a surgir no Twitter as primeiras queixas quanto à resistência do dispositivo.

Mais do que um jornalista removeu uma película protetora do ecrã que não devia ser retirada, mas, como era parecida com as proteções de plástico tradicional anti-riscos, induziu alguns analistas em erro, o que levou a danos no ecrã. Além disso, como foi o caso do The Verge, houve quem se queixasse que o ecrã tinha na dobra interior uma curva que permite a entrada de detritos, danificando-o.

A Samsung justificou, na altura, que ia analisar estas unidades de teste e avisar claramente os consumidores de que a película não devia ser removida, mas manteve a afirmação quanto à resistência do Galaxy Fold, que “aguenta mais de 200 mil dobras e desdobras (ou cerca de cinco anos de utilização, se utilizado 100 vezes podia)”.

Em julho, DJ Koh, presidente executivo da empresa, revelou numa entrevista com jornalistas, na qual o Observador participou, que “mais de dois mil equipamentos” estavam a ser testados para preparar uma nova data de lançamento. “Assumo que me escapou alguma coisa”, disse na altura quanto ao lançamento falhado.

Era suposto o Samsung Galaxy Fold ter chegado ao mercado europeu a 3 de maio, numa lista de apenas alguns países, como Inglaterra, Alemanha ou França, na qual Portugal não se encontrava incluído. Depois de o lançamento do Mate X, o smartphone com ecrã dobrável da Huawei, também ter sido cancelado devido à guerra comercial entre os EUA e a China, apenas a Royole, uma empresa chinesa, tinha à venda um smartphone com esta tecnologia, o Flexpai.

Atualmente, também a Huawei já lançou um smartphone dobrável, mas outras marcas, como a Motorola, estão a aproveitar esta tecnologia para apresentar novos designs de smartphones.