Quando começou a campanha, há dez meses, a senadora da Califórnia Kamala Harris conseguia reunir mais de 20 mil pessoas num comício — o maior entre os candidatos — algo que contrasta com os modestos números das sondagens mais recentes. Depois de um verão que até foi bastante proveitoso para Kamala Harris, com a senadora da Califórnia a sair-se bem nos debates, o anúncio da candidatura de Michael Bloomberg pode ter contribuído para agravar as dificuldades na campanha de Kamala Harris.

A informação da retirada da candidata à corrida para as presidenciais norte-americanas, foi avançada inicialmente pelo New York Times que acrescenta que a decisão da senadora vem também na sequência do “mal-estar criado entre o staff” da candidatura, mas pouco tempo depois foi a própria candidata a publicar nas redes sociais o anúncio da sua desistência.

Segundo o jornal, já na quinta-feira, a senadora da Califórnia terá enviado um e-mail aos colaboradores onde os informava da falta de financiamento para a campanha.

Segundo round entre candidatos democratas: Kamala Harris brilha, Joe Biden perde, e Bernie Sanders assim-assim

“A minha campanha para a presidência não tem o financiamento que precisamos para prosseguir”, escreveu Kamala Harris no e-mail. Nos últimos meses a senadora bateu-se com dificuldades para financiar a campanha, depois da angariação de fundos online ter começado a diminuir o volume de donativos e de ver sair os principais financiadores. Segundo o jornal, no terceiro trimestre do ano, por cada dólar angariado a senadora estava a gastar 1,41, obrigando-a a investir as poupanças pessoais.

A estratégia de comunicação da campanha já tinha sido adaptada, de forma a minimizar os custos, com a suspensão de anúncios na internet e televisão, o despedimento de funcionários em New Hampshire e a relocalização dos escritórios para o Iowa, onde a senadora passou o feriado de Ação de Graças com a família.

Numa publicação feita nas redes sociais, Kamala Harris confirma que vai abandonar a corrida e que esta “é uma das decisões mais difíceis” que tomou na vida. “Não sou milionária. Não consigo financiar a minha própria campanha. À medida que a campanha foi avançando tornou-se cada vez mais difícil angariar o dinheiro que precisávamos para competir”, escreve numa espécie de carta aberta.

A senadora da Califórnia oficializa a desistência da corrida, esta terça-feira, “com profundo pesar e gratidão” e dá aos apoiantes a garantia que irá “lutar todos os dias pelo que a campanha foi: justiça para as pessoas, todas as pessoas”.

Para que fique bem claro: apesar de já não estar na corrida para presidente farei tudo o que estiver ao meu alcance para derrotar Donald Trump e lutar pelo futuro do nosso país e do melhor que somos”, escreve Kamala Harris.

Na nota, a senadora frisa a importância de uma campanha que, por exemplo, “deu voz aos que não eram ouvidos”; “colocou na agenda nacional a questão da má remuneração dos professores”; “lutou por impedir a violência com armas” ou que “mostrou a todas as crianças nos Estados Unidos que não há limites para quem quer liderar ou assumir posições de liderança”.

Algumas horas depois de conhecida a decisão da senadora, Donald Trump reagiu através do Twitter, num tom irónico: “Que pena, vamos ter saudades tuas Kamala!”, mas não ficou sem resposta da senadora: “Não se preocupe senhor presidente, encontramo-nos no seu julgamento”.