A impressora

Passava dias a fio sem descanso, imprimindo trabalhos e lazeres de manhã à noite. Os tinteiros gastavam-se que nem manteiga com pão quente, para desgraça do orçamento familiar. Nesses tempos felizes, o bater ritmado da tinta a fixar-se no papel era música para os ouvidos de todos quantos aguardavam por ver na mão aquilo que viam no ecrã do computador. Gradualmente, porém, foi perdendo uso. Os trabalhos começaram a enviar-se por email e os lazeres passaram a guardar-se em discos rígidos. Os álbuns de família deixaram de se decorar e passaram a descurar-se. Até que, certo dia, foi desligada da ficha e arrumada dentro de um caixote, arrumado dentro de um gavetão que se arrumava dentro de uma cama. Que triste matrioska.

A máquina de café

Apareceu naquela casa como um inesperado e generoso presente de casamento, de uma prima afastada que — imagine-se! — nem ao casamento fora.  Depressa ganhou protagonismo na nova vida do novo casal. Ele acordava primeiro e punha os grãos de café a moer. Num reflexo pavloviano, o ruído abria o apetite dela para o que se seguia: um café cujo aroma se espreguiçava da cozinha ao futuro quarto das crianças. O café perfeito. E que luxo era poderem bebê-lo juntos, todas as manhãs. Só que a pressa, já se sabe, é inimiga da perfeição. Nasceram os filhos, apertaram-se os horários. O tempo para moer os grãos de café e vê-lo cair lentamente sobre as chávenas era cada vez menos. Só aos fins de semana, só nas férias, só quando o rei fazia anos. Um dia, renderam-se às cápsulas. Já não queriam perfeição, só queriam um café. Nesse dia, a velha máquina foi parar à arrecadação, mumificada nas mesmas bolhas de plástico em que chegara. Estavam murchas, como ela.

O secador de cabelo

Pegava ao serviço depois do banho do seu dono. Quase sempre de manhã, pela fresca, em dias mais frios, também à noite. Não se importava das horas extra, pelo contrário: nascera para pôr a sua potente turbina ao serviço da melena alheia. E que bela melena era aquela. Provocava elogios e inveja em doses proporcionais. Ajudava, e muito, aos amores de verão, de primavera e das restantes estações. Até que a idade e a genética decidiram conspirar entre si. As madeixas na almofada deram o sinal de alerta. As entradas tornavam-se cada vez mais aparentes. O dermatologista foi assertivo: “Só há uma coisa que vai parar essa queda de cabelo: o chão.” Perante o prognóstico, o visado não esperou pelo fim do jogo: à chegada a casa, cortou o mal pela raiz. Máquina zero. Foi a última vez que o secador o viu.

De renegados a Super’eletro

Pode limpar as lágrimas: a história de vida destes três eletrodomésticos não termina de forma triste. Existe um twist final comum a todas. Hoje, cada um desses eletrodomésticos é um super-herói. Um super’eletro, com superpoderes adquiridos graças ao projeto Worten Transforma. Como? Simples. Foram os três entregues em lojas Worten, encaminhados para a reciclagem e, graças a essa ação, a marca pôde entregar novos equipamentos em instituições de solidariedade social em todo o País. Ao todo, já foram doados 2 milhões de euros em novos equipamentos. É esse o seu primeiro superpoder, o de tornar melhor a vida de quem mais precisa.

O segundo é tão ou mais importante: o superpoder de preservar o ambiente. Sabemos que os resíduos de eletrodomésticos são particularmente nocivos, devido à composição dos diferentes componentes. Ao serem encaminhados para reciclagem, tornam-se, automaticamente, em guardiões protetores do Planeta. Por isso, já sabe, é possível que tenha um potencial super’eletro algures escondido em casa. E que tal dar-lhe poderes?