(em atualização)

Quem não saiu de East Gippsland para escapar aos incêndios na Austrália, conforme indicado pelas autoridades estes domingo, não devem tentar fazê-lo agora. É “tarde demais”, disseram as autoridades, de acordo com a Sky News. Quem ficou deve procurar abrigo longe das estradas porque há o perigo de ficar encurralada nas chamas.

O governo australiano, através dos serviços de emergência, divulgou no domingo um alerta apelando a “todos os que se encontram em East Gippsland” que abandonassem a área até ao fim do dia “devido à previsão de risco de incêndio” para segunda-feira. “Não viajem para esta área. Não é possível prestar apoio e ajuda médica a todos os visitantes que estão neste momento na região de East Gippsland”, lê-se no alerta, que vem acompanhado de um mapa que indica a região que deve ser evacuada.

Ao fim de quase dois meses de incêndios contínuos — que já levaram à morte de nove pessoas e dizimaram pelo menos cinco milhões de hectares de território —, a Austrália enfrenta esta segunda-feira a situação mais grave desde o início dos fogos, com o governo australiano a pedir a todas as pessoas que se encontram na região de East Gippsland que abandonem a área imediatamente.

“Se está a planear visitar East Gippsland hoje [domingo] ou na segunda-feira, não o faça. Se já está a visitar East Gippsland, tem de abandonar a região hoje. Se vive em East Gippsland, tem de sair para um local mais seguro”, disse no domingo Andrew Crisp, responsável pelos serviços de emergência do estado de Victoria, em declarações citadas pela imprensa australiana, segundo a qual se encontravam cerca de 30 mil turistas na região afetada.

Mas o presidente da Câmara, John White, disse que “não houve um êxodo em massa”, apesar dos alertas dos bombeiros, e “muitos dos veraneantes” decidiram ficar para trás. Agora, as novas indicações dizem que, como “houve uma reviravolta para o pior” na progressão do incêndio, há maior probabilidade em sobreviver caso se fique em East Gippsland do que se se tentar fugir.

Através das redes sociais, muitos turistas estão a queixar-se das informações confusas e contraditórias dos serviços de emergência. Uma turista partilhou no Twitter a sequência de mensagens que recebeu dos serviços de emergência. A primeira alertando para a possibilidade de várias estradas principais se poderem encontrar fechadas, a segunda pedindo que abandonasse de imediato a região.

Ao mesmo tempo, segundo os relatos da imprensa australiana, há muitas pessoas a preferir ficar na região para evitar as confusões no trânsito, com milhares de carros a tentar escapar da zona pelas poucas autoestradas que servem a região. A ministra australiana responsável pelos serviços de emergência, Lisa Neville, disse que o objetivo da evacuação de domingo era precisamente evitar o caos na segunda-feira. “30 mil pessoas na estrada não é bom para ninguém“, afirmou.

Neste momento, segundo a BBC, continuam a arder mais de 100 incêndios na Austrália. Por causa disso, mais de 250 mil pessoas já assinaram uma petição para que os fogos de artifício de Ano Novo sejam cancelados e que o dinheiro seja gasto nos esforços de combate às chamas.

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Na região de East Gippsland, estado de Victoria — onde decorreu a mega-operação de evacuação —, ardem três grandes incêndios que se dirigem para a costa e que poderão, em algumas horas, cortar as principais auto-estradas. No mesmo estado, o tradicional festival de música Falls New Year’s Eve foi cancelado devido ao perigo de incêndio. Cerca de 9 mil pessoas já estavam acampadas no local, ao qual apenas era possível aceder através de um único caminho — o que impossibilitaria qualquer hipótese de fuga em caso de emergência.

A contribuir decisivamente para a onda de incêndios que tem devastado o país desde novembro estão as temperaturas recorde registadas na Austrália. Em alguns locais do país, os termómetros têm-se aproximado dos 50ºC e a maioria das cidades estão a registar temperaturas duas vezes mais altas do que seria expectável para esta altura do ano. O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, já anunciou que os milhares de bombeiros voluntários que têm estado em permanência no combate às chamas vão ser compensados financeiramente pelas eventuais perdas de rendimentos nos seus empregos.