Fernando Teixeira dos Santos não está na iminência de abandonar a presidência-executiva do EuroBic, garante fonte oficial do banco, no dia em que o Correio da Manhã noticia que o ex-ministro das Finanças está a ser forçado pelo Banco de Portugal a deixar as funções, agora ou após a apresentação das contas anuais. Mas o mandato de Teixeira dos Santos já terminou, em dezembro, e há nova assembleia eletiva de órgãos sociais em março/abril.

O banco tem procurado distanciar-se de Isabel dos Santos, uma das suas principais acionistas (que deixará de sê-lo, em breve, já que o banco indicou que “a muito breve prazo” a participação da angolana será vendida a outros investidores).

Fernando Teixeira dos Santos ainda não falou, publicamente, sobre as suspeitas que foram descritas pela investigação do Luanda Leaks, de que contas da Sonangol neste banco foram esvaziadas perto da mesma altura em que Isabel dos Santos foi exonerada da presidência da petrolífera angolana. Em causa está uma transferência de 58 milhões de dólares para uma offshore no Dubai, a Matter Business Solutions.

Segundo o Jornal Económico, o banco comunicou no início desta semana essas transferências ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e a Unidade de Informação Financeira (UIF) da PJ.

O banco tem procurado demonstrar que essas transferências foram feitas em moldes normais, por pessoas autorizadas a movimentar as contas do banco e envolvendo valores habituais para uma empresa da dimensão da Sonangol — para um destino que, em contraste a transferência bloqueada do BCP para o general “Dino” na Rússia, não estava identificado como suspeito.

Fernando Teixeira dos Santos, que é próximo do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, chegou ao EuroBic para substituir Luís Mira Amaral, depois de ter sido rejeitado outro nome — o de Jaime Pereira, até então vice-presidente — por suspeitas de envolvimento em esquemas de branqueamento de capitais.

Segundo o Correio da Manhã, Teixeira dos Santos foi chamado, ao longo dos últimos meses, várias vezes ao Banco de Portugal para dar explicações sobre os problemas que terão sido detetados nas inspeções realizadas no final do ano passado.