Sabe-se agora que a Land Rover vai iniciar a comercialização do Defender, com as primeiras unidades a chegarem na Primavera, relativas à versão Defender 110 de cinco portas, com o Defender 90 (três portas) a surgir no nosso país apenas no final do Verão. No fim do ano, será a ocasião de acolher as versões híbridas plug-in, que prometem ser as mais acessíveis entre nós, bem como os Defender comerciais, disponíveis nas versões 90 e 110.

O novo Defender nada tem a ver com o antigo. Adeus ao chassi/cabina com longarinas, de longe a solução mais robusta para suportar “pancadas”, surgindo em seu lugar uma solução monobloco similar ao Discovery Sport, muito mais versátil, sofisticado e confortável. As suspensões com eixo rígido também desapareceram, tendo sido substituídas por sistemas independentes, que a marca garante serem igualmente eficazes em todo-o-terreno, mas muito melhor em estrada, o que não é difícil de acreditar. Para terminar, o equipamento deixa de ser apenas as portas e os pneus, com o novo Defender a usufruir de todas as mordomias dos restantes Land Rover – e até de alguns Range Rover –, da electrónica às ajudas de condução, além de sistemas de infoentretenimento…

9 fotos

Depois das boas notícias, as menos boas…

Se a tudo aquilo que já afirmámos juntarmos uma estética atraente, mais moderna, mas com resquícios evidentes das linhas que celebrizam o Defender desde 1983, terminamos com o rol das boas notícias. Isto porque, apesar de passar a estar disponível com motores a gasolina e a gasóleo, com os híbridos plug-in a estarem previstos para o final de 2020, há um pormenor que vai afastar uma parte considerável dos potenciais interessados: o preço elevado.

A Land Rover deixou de fabricar o Defender em 2016 e ficou perante um dilema. Face ao número de unidades vendidas, não valia a pena investir num novo chassi de longarinas para produzir um novo jipe de trabalho mas, por outro lado, a decisão de avançar com um chassi monobloco similar ao Discovery, destinado a tornar o modelo mais civilizado e capaz de atrair mais clientes, iria fazer disparar os custos. No entanto, foi exactamente esta a decisão dos britânicos, que depois tiveram de investir uma fortuna para garantir que, apesar da ausência das longarinas e das suspensões de eixo rígido, o novo Defender seria ainda melhor em todo-o-terreno.

Disponível com a carroçaria curta ou longa, respectivamente o Defender 90 ou Defender 110, o SUV inglês monta motores sobrealimentados a gasolina ou a gasóleo. A versão mais acessível será o Defender 90 com três portas (4,32 metros de comprimento) e motorização 2.0P Si4 com 200 cv, equipado com caixa automática e sistema integral 4WD, à venda por 81.812€, para o mesmo modelo com motor diesel, o Defender 90 2.0D SD4 com 200 cv (4WD e Auto), ser proposto por 88.180€.

O Defender 110, com cinco portas (4,76 m de comprimento) e a mesma mecânica a gasolina, está a ser comercializado por 89.187€, para a versão a gasóleo de 200 cv exigir um investimento de 95.554€. Os preços são elevados, sobretudo quando comparados com a geração anterior. Mas o incremento é principalmente devido à nossa fiscalidade, uma vez que aqui ao lado, em Espanha, o Defender 90 é proposto por preços a partir de 54.980€ e o Defender 110 desde 61.480€. Ou seja, devido ao sistema fiscal, os portugueses pagam mais cerca de 27 mil euros tanto pelo Defender curto como pelo comprido. Conheça todas as versões e motorizações à venda em Portugal aqui.

Para baralhar ainda mais o potencial do modelo, o novo Defender torna-se largamente mais dispendioso do que o Jeep Wrangler, proposto a partir de 58 mil euros. A clivagem é ainda mais notória se comparada com o Discovery Sport, o veículo que a Land Rover mais vende e que em Portugal está disponível por 55 mil euros para particulares, ou 42 mil euros para empresas que possam recuperar o IVA.

A Land Rover está a estudar uma versão comercial, com apenas três lugares à frente, desenhada especificamente para não ser tão penalizada pelo fisco português.