A Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE) considera que os objetivos das restrições de trânsito na Baixa de Lisboa são positivos, mas fala em medidas “unilaterais”, sem terem em conta os diversos contributos.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da APECATE disse estar de acordo com os objetivos ambientais da medida anunciada em 31 de janeiro pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), que prevê a criação de uma Zona de Emissões Reduzidas (ZER) no Chiado e na Baixa, discordando, contudo, da forma como está a ser conduzido o processo.

Concordando lá no objetivo, […] tem de se criar um planeamento, tem de se fazer uma análise, tem de haver estudos de impacto. E, portanto, não é anunciando medidas unilaterais sem ter em consideração contributos que as nossas associações, entre outros, já fizeram”, afirmou António Marques Vidal.

Sobre a limitação do número de “tuk-tuk” a operar na Baixa da capital, o presidente da APECATE está de acordo, mas não por sorteio como avançaram alguns órgãos de comunicação social. “Isto é brincar. Se nós procuramos qualidade, se nós procuramos criar um melhor serviço turístico, não podemos fazer nada que seja por sorteio”, defendeu. Segundo António Marques Vidal, a maioria dos “tuk-tuk” já são elétricos e os “empresários têm feito o caminho para adaptação às novas realidades”.

Não faz sentido nós dizermos que queremos melhorar Lisboa e depois não há critérios e é o critério da sorte. Em lado nenhum a sorte é igual a qualidade. E nós queremos qualidade”, salientou, acrescentando que é necessário ter em conta as “empresas que trabalham responsavelmente, que contribuem sustentavelmente para a economia local”.

A nova ZER Avenidas/Baixa-Chiado prevê que o trânsito automóvel nessa área passe a ser exclusivo para residentes, portadores de dístico e veículos autorizados, entre as 6h30 e as 00h, a partir do verão.

A ZER abrange parte das freguesias de Santa Maria Maior, Misericórdia e Santo António, sendo delimitada a norte pela Calçada da Glória, Praça dos Restauradores e Praça do Martim Moniz, e a sul pelo eixo formado pelo Cais do Sodré, Rua Ribeira das Naus, Praça do Comércio e Rua da Alfândega. Esta zona de emissões reduzidas é delimitada a nascente pela Rua do Arco do Marquês de Alegrete, Rua da Madalena e Campo das Cebolas, e a poente pela Rua do Alecrim, Rua da Misericórdia, Rua Nova da Trindade e Rua de São Pedro de Alcântara.

Pelo menos dois parques de estacionamento situados no interior da ZER deverão deixar de estar abertos ao público em geral. É o caso dos parques de estacionamento da Praça do Município, da Saba, e da Baixa-Chiado, da Empark.

Questionado pela Lusa sobre eventuais medidas de compensação a estas empresas, o presidente da autarquia, Fernando Medina (PS), disse que “cada parque tem a sua situação, uns resultam de concessão municipal, outros são de natureza puramente privada”, sublinhando que “o diálogo com esses operadores vai ocorrer por iniciativa da câmara”.

Numa resposta escrita enviada à Lusa, a Saba refere que vai analisar “a forma de trabalhar em conjunto com o município” e como poderá contribuir “na gestão da mobilidade urbana”, remetendo uma posição sobre os impactos das medidas para quando já estiverem a vigorar.

A agência Lusa tentou igualmente contactar a Empark, não tendo obtido qualquer resposta até ao momento.