O índice de Clima Económico medido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) teve em março uma quebra de “magnitude semelhante à verificada em abril de 2011”, ou seja, o mês em que Portugal anunciou que iria pedir assistência financeira à troika. O índice de confiança do consumidor também derrapou, revela o organismo estatístico.

Este indicador sobre o clima económico “diminuiu de forma significativa em março, após ter estabilizado no mês anterior, retrocedendo para valores próximos dos observados no final de 2016”. “Esta redução teve uma magnitude semelhante à verificada em abril de 2011“, diz o INE, acrescentando que “nos últimos dois meses, os indicadores de confiança diminuíram na Indústria Transformadora, no Comércio e nos Serviços, tendo aumentado na Construção e Obras Públicas. Não considerando médias móveis de três meses, todos os indicadores de confiança diminuíram relativamente a fevereiro”.

Os números revelam que em março de 2020 o indicador de clima económico caiu quatro décimas, de 2,2 para 1,8 pontos, que comparam com os 2,6 de março de 2019.

Por outro lado, na rubrica que se concentra na perspetiva do consumidor, “a redução do indicador de confiança dos consumidores resultou do contributo negativo de todas as componentes, perspetivas de realização de compras importantes, opiniões e expectativas sobre a evolução da situação financeira do agregado familiar e expectativas relativas à evolução da situação económica do país, de forma significativa no último caso”.

Neste sub-indicador, o resultado apurado pelo INE foi de -9,9, uma quebra súbita face aos -8,1 do mês de fevereiro.

O relatório do INE pode ser consultado em mais detalhe nesta ligação. O organismo avisa que os constrangimentos causados pela Covid-19 poderão dificultar, nos próximos tempos, a obtenção dos dados primários que servem para fazer estes indicadores, pedindo, assim, um esforço adicional de colaboração sobretudo por parte das empresas.

Sentimento económico na zona euro com maior recuo mensal de sempre em março, diz Bruxelas

O indicador do sentimento económico registou, em março, o maior recuo mensal na zona euro (-8,9 pontos) desde que há registos, tendo ainda caído 8,2 pontos na União Europeia (UE), divulga esta hoje a Comissão Europeia.

Dados da Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia indicam que o maior recuo no indicador desde que há registos (1985), de 8,9 pontos para os 94,5, deveu-se à queda da confiança dos consumidores e em todos os setores de negócios na zona euro, particularmente nos serviços e no comércio de retalho.

O sentimento económico recuou nas cinco maiores economias da zona euro, com particular destaque para Itália (-17,6 pontos) e Alemanha (-9,8), seguindo-se França (-4,9), Holanda (-4,0) e Espanha (-3,4). Na UE, o sentimento económico baixou 8,2 pontos para os 94,8.

Bruxelas adverte que os dados foram recolhidos entre 26 de fevereiro e 23 de março, tendo a maioria das respostas sido recebida antes de vários países terem adotado medidas de confinamento estritas para combater a pandemia da Covid-19. Bruxelas assinala ainda, no boletim, que o indicador das expectativas de emprego recuou 10,9 pontos para os 94,1 na zona euro e 9,7 pontos para os 94,8 na UE.