O município de Vila Real arranca esta quinta-feira com um programa de rastreio à Covid-19 que vai abranger 279 utentes de estruturas residenciais para idosos e da Associação de Paralisia Cerebral do concelho.

“Há muito tempo que queremos testar os nossos idosos nos lares, mas tínhamos que ter testes fiáveis, testes que fossem monitorizados pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Douro I – Marão e Douro Norte”, afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos.

A 30 de março, o Governo anunciou o lançamento de uma operação de testes em todos os lares de idosos dos concelhos de Lisboa, Aveiro, Évora, Guarda e, um dia depois, o primeiro-ministro disse que esta seria a primeira etapa de uma operação cujo objetivo era o de o cobrir todo o país, a partir de 6 de abril.

Tendo nós presente que as instituições de ensino superior e a Segurança Social ainda demorariam mais alguns dias a operacionalizar o processo, nós decidimos, mal os testes ficaram disponíveis, adquiri-los e avançamos”, salientou o autarca socialista.

O município de Vila Real assume o custo destes testes, efetuados com zaragatoa, e cujos resultados deverão ser conhecidos até ao próximo domingo.

O rastreio vai ser feito por um laboratório privado “devidamente credenciado” e conta com o apoio e acompanhamento do ACES Marão e Douro Norte, o que, segundo o autarca, “assegura a validade dos resultados obtidos”.

A medida foi tomada devido à “especial vulnerabilidade das populações idosas à Covid-19” e será implementada nas estruturas residenciais do concelho, com protocolos estabelecidos com a Segurança Social.

De acordo com o município, entre esta quinta-feira e sexta-feira serão testados todos os utentes do Centro Social e Paroquial (CSP) da Campeã, CSP de Mateus, CSP de São Tomé do Castelo, CSP de Santo António, Lar da Imaculada Conceição da Santa Casa da Misericórdia, Associação Paz e Amizade, Lar de Idosos de Lordelo e a Residência Dom Rodrigo.

O rastreio inclui ainda os 14 utentes da Associação de Paralisia Cerebral (APC) de Vila Real. No total, segundo a autarquia, vão ser testados 279 utentes.

As instituições locais possuem planos de contingência, estão a funcionar “em espelho”, em turnos de 15 dias, e o município preparou um centro de acolhimento temporário para dar resposta a doentes Covid-19 assintomáticos ou pessoas que necessitem de fazer isolamento.

Entre as medidas de apoio às IPSS do concelho (lares, serviços de apoio domiciliário e centros de dia), Rui Santos anunciou ainda a distribuição, a partir de sexta-feira, de cerca de 65 mil máscaras.

O autarca lembrou que também os cerca de 70 utentes do Lar Nossa Senhora das Dores foram testados, aquando do surto detetado naquela instituição. No dia 22 de março foi conhecido o primeiro caso de um idoso infetado no lar, localizado no centro da cidade de Vila Real.

Entre utentes e funcionários o número de infetados nesta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) ascendeu aos cerca de 100 e, depois de uns dias de indecisão, o edifício foi evacuado e descontaminado e os residentes espalhados por quatro unidades hospitalares.

Na segunda-feira iniciou-se o regresso, que será faseado, dos utentes ao lar, entre os quais o primeiro a dar positivo à Covid-19, um doente oncológico que já recuperou do novo coronavírus. Esta quinta-feira mesmo regressarão à IPSS mais 18 idosos, que foram infetados e já testaram negativo à Covid-19.

Rui Santos acredita que o Lar Nossa Senhora das Dores ajudou a chamar atenção do país para o problema que se vive nestas instituições por causa da pandemia.

Segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia, na quarta-feira havia em Vila Real 143 pessoas infetadas com Covid-19. No concelho verificaram-se, até ao momento, oito mortes associadas ao novo coronavírus, todas elas relacionadas com utentes do Lar de Nossa Senhora das Dores.

Portugal, de acordo com a DGS, registava na quarta-feira 599 mortos associados à covid-19 em 18.091 casos confirmados de infeção.