É um dado adquirido: “Quando as pessoas falam, emitem gotículas de saliva. Num indivíduo infetado, a saliva tem partículas víricas“. Quem o diz é o médico infecciologista Francisco Antunes, em declarações ao Observador. Então, qual a razão para a Assembleia da República ter decidido que o uso de máscara não é obrigatório precisamente para o uso da palavra, quando saem as tais gotículas — quando em todos os outros momentos é obrigatório usá-la?

É certo que a distância atingida pelas gotículas que são expelidas quando alguém fala não é tão grande quanto a distância a que são projetadas as gotículas respiratórias a espirrar ou tossir, aponta Francisco Antunes. Também é certo que, nestas situações (tosse ou espirros), uma pessoa infetada “está a libertar partículas víricas do pulmão profundo, em que a carga vírica é mais elevada do que na saliva“.

Ainda assim, as gotículas expelidas pela boca, neste caso, do deputado ou membro do Governo que está a falar, podem ser suficientes para infetar outra pessoa que não esteja a uma distância segura. Ou, ainda, estas gotículas podem contaminar superfícies — uma mesa, um corrimão, um microfone — e infetar uma pessoa que toque nelas e que depois leve as mãos à cara, tocando no nariz, boca ou olhos.

O deputado André Ventura, do Chega, e o deputado Telmo Correia, do CDS (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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