Os 32 migrantes que saíram esta quarta-feira da base aérea da Ota, em Alenquer, foram levados para a base militar de Santa Margarida, em Constância, soube o Observador junto de fontes militares. Estes migrantes não foram ainda dados como curados, depois de testarem positivo no hostel onde foram alojados com mais de outros 100 requerentes de asilo ou refugiados. Foram transportados num autocarro dos bombeiros de Alenquer numa operação que contou com militares do Exército, da GNR e elementos da Proteção Civil e que, mesmo assim, se pediu rápida e “discreta”.

Ao que o Observador apurou, o transporte foi feito pelas 18h00 e terá sido feito com o máximo de cuidado, acompanhado pelo Centro Distrital de Operações de Socorro de Santarém, uma vez que estes 32 migrantes ainda não testaram negativo desde que foram levados para a Ota, a 20 de abril. Foi aqui que foram alojados integrados num grupo total de 171 migrantes que viviam em condições de sobrelotação no hostel Aykibom, em Lisboa, e dos quais 138 testaram positivo por estarem infetados com a Covid-19.

Migrantes viviam no hostel Aykibom, em Lisboa, em condições de sobrelotação

O Observador não conseguiu confirmar a informação junto da secretaria de Estado das Migrações — para quem o Exército e os Bombeiros, contactados pelo Observador, encaminharam todos os pedidos de informações sobre esta operação. Mas uma fonte do Ministério da Administração Interna confirmou terem sido levadas cerca de 30 pessoas para aquela base militar, quatro das quais sob sua tutela por terem ainda os processos de requerimento de asilo em apreciação. Uma fonte militar explicou que as ordens foram para que a operação fosse “discreta”, não sendo considerada uma escolta, mas um acompanhamento do transporte.

Horas antes, a Secretaria de Estado das Migrações tinha, de facto, confirmado ao Expresso que esta quarta-feira seriam levados das instalações da base aérea da Ota 32 migrantes que se encontravam positivos. Só não explicou para onde, nem os critérios. Depois do período de quarentena, os restantes migrantes que ali se encontravam alojados têm sido alojados por fases noutros locais, depois de terem testado negativo.

Quando abandonaram as instalações da Força Aérea, todos eles foram entregues a diferentes entidades consoante a sua situação no país: se o seu requerimento de asilo já tiver sido aceite é a Segurança Social que os encaminha, se o processo estiver ainda em admissibilidade é o Conselho Português para os Refugiados (da tutela do MAI) e se estiver em recurso, porque foi recusado, ficam à responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia.

Base Militar de Santa Margarida

Câmara de Loures pede que requerentes de asilo que ali foram alojados sejam mudados de sítio

Há uma semana foram 52 as saídas de migrantes que estavam já negativos, cinco deles foram alojados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa na Casa das Marés, em Loures, em isolamento social. Um isolamento que foi quebrado no último domingo quando um deles foi encontrado num supermercado a comprar alimentos, porque tinha fome. Na sequência desse episódio, a Câmara Municipal de Loures aprovou também esta quarta-feira uma moção em que exige ao Governo que garanta o confinamento obrigatório destes requerentes de asilo.

“Foram evidentes, nos últimos dias, as graves insuficiências no acompanhamento dos cidadãos requerentes de asilo por parte das entidades responsáveis pela sua instalação na Mealhada”, lê-se.

O documento, que foi aprovado por unanimidade, exige que estas cinco pessoas sejam transferidas para um local mais adequado.

“O município tem vindo a suscitar junto do Governo e da SCML a necessidade de encontrar outra solução para os requerentes de asilo em causa, respeitando integralmente a sua dignidade e direitos, dada a óbvia inadequação da localização encontrada e a ausência de acompanhamento adequado”.

Recorde-se que na altura dos testes, seis migrantes acabaram por desaparecer e um deles terá mesmo sido localizado em Inglaterra. O governo acabou por optar por testar todos os requerentes de asilo a viver em hostel para impedir surtos semelhantes.

Sem espaço ou planos de contingência. Viagem aos hostels que abrigam 800 refugiados (e onde a Covid já entrou)