São já 3.317 os profissionais de saúde que foram infetados com Covid-19, o que significa que praticamente uma em cada dez pessoas infetadas no país (11%) trabalham nesta área. É um aumento de 58 novos casos só num dia entre estes profissionais, já que esta quarta-feira Marta Temido tinha revelado no Parlamento que eram 3.259 os profissionais infetados. Os números atualizados foram revelados esta quinta-feira no briefing diário da Direção-Geral de Saúde sobre a pandemia pelo secretário de Estado da Saúde, António Sales adiantou que está a ser revista “a estratégia de abordagem de testagem a profissionais de saúde”, processo que se encontra na “fase de ouvir peritos e médicos para poder fazer uma revisão da norma 13 [referente à testagem destes profissionais]”.

Na mesma conferência a diretora-geral de Saúde disse que aguarda, como todo o mundo, com “grande ansiedade” perceber se o vírus vai perder força com o verão porque, de facto, “os outros coronavírus são sazonais, pois aparecem no outono e no inverno e têm uma atividade muito baixa no verão”. Por isso, garantiu Graça Freitas: “Se este vírus tiver esse comportamento, vamos ter o alívio do número de casos na primavera e no verão”. Mas é preciso não baixar a guarda: “O vírus ainda não se deixou estudar (…) Pode não abrandar (…) Temos de continuar a vigiar, não podemos descurar a monitorização e o isolamento dos casos.” Lembrou o caso de Singapura como uma zona quente onde o vírus não deixou de se propagar.

Voltando aos 3.317 profissionais de saúde infetados: 480 são médicos, 1088 enfermeiros, 935 assistentes operacionais, 159 assistentes técnicos, 105 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, sobrando ainda 550 outros profissionais afetados. Há, no entanto, 1071 profissionais já recuperados.

“Não é tempo de balanços” e é para manter “critério de contenção”

Sobre como está a correr a reabertura de atividades, António Sales defendeu que “ainda não é tempo de balanços do desconfinamento”, uma vez que “ainda estamos em tempo de dar respostas”. Os balanços, explica, “vão ficar para o final”. O secretário de Estado disse que “é muito importante a mensagem de confiança da passagem entre quem fica em casa e quem retome a sua atividade, mas também é importante que as pessoas percebam que continua a haver um critério de salvaguarda e de contenção”. A solução está no equilíbrio.

António Sales advertiu que “no dia em que se atinge os 5 milhões de casos no mundo (esta quarta-feira), sabemos que temos de continuar a reforçar os nossos mecanismos de propagação do vírus. Continua a ser a prevenção a única vacina de que dispomos”.

A diretora-geral de Saúde confirmou também o novo foco de casos na Sonae na Azambuja. A Graça Freitas indicou que, “até à data foram feitos 339 testes, que permitiram identificar 70 pessoas que deram positivo”, sendo que estão “todas clinicamente bem, são trabalhadores jovens”. E, como uma espécie de pista para o contágio, acrescentou que “muitos vivem em alojamentos em conjunto, pois são deslocados”.