Com sete entradas distintas para garantir a distância social entre os estudantes, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) está já a testar as medidas a aplicar durante a realização dos exames presenciais, que arrancam na segunda-feira.

Passavam poucos minutos das 11h e à entrada do Centro de Investigação Médica da FMUP vários estudantes de Medicina alinhavam-se por ordem alfabética.

Como que fugindo do sol e uns dos outros, aguardavam a vários metros, por forma a garantir a distância social necessária, para poder entrar nas instalações com as novas impostas pela Covid-19.

Lá dentro, os 14 técnicos destacados pela faculdade para fazerem a triagem dos estudantes, atentavam as últimas recomendações e medidas a seguir.

À entrada para as instalações, os estudantes seguiram, quase que religiosamente, o protocolo: mostraram o cartão de cidadão, desinfetaram as mãos, mediram a febre e responderam a um pequeno inquérito sanitário.

Teve tosse? Febre? Corrimento nasal? Mau estar geral?”, questionou uma das técnicas que, à semelhança das restantes, estava de bata, luvas, máscara e viseira.

Durante o simulacro desta quinta-feira, nenhum dos estudantes apresentou sintomas, mas caso surjam estudantes com suspeitas de infeção com o novo coronavírus, a faculdade preparou outras salas.

Aí, longe do átrio, corredor, bar, biblioteca e auditório do Centro de Investigação Médica, os estudantes ficarão isolados e, afastados dos colegas, poderão realizar o exame.

Nos espaços destacados para os exames, que no seu conjunto tem capacidade para acolher mais de 300 alunos, as cadeiras ditam, com um raio de dois metros entre elas, a distância a que vão ficar uns dos outros.

E, apesar da FMUP partilhar instalações com o Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), neste momento, essas áreas estão condicionadas, não havendo, por isso, circulação de pessoas.

Além destas zonas estarem condicionadas, em dia de exames a entrada para o Centro de Investigação Médica será feita a partir de sete locais diferentes, de modo a garantir a distância social entre os alunos.

João Gonçalves, de 18 anos, foi um dos estudantes do 1.º ano de licenciatura convidado para participar nesta simulação desta quinta-feira e, em declarações à Lusa, afirmou ter ficado “mais seguro” depois das medidas anunciadas pela FMUP.

“No início estava apreensivo, mas agora sinto-me completamente à vontade para vir à faculdade porque tenho a certeza de que foram tomadas as medidas para que estejamos seguros aqui”, confessou o jovem natural de Matosinhos.

João já realizou alguns exames online e, apesar de terem corrido bem e nada ter falhado, receia, à semelhança dos colegas do seu ano, o resultado.

“Ficamos com medo que o nosso resultado não dependa só de nós, mas de outros fatores que não controlamos, mas pela nossa experiência têm corrido tudo bem”, afirmou o jovem, que se costumava deslocar para a faculdade de transportes públicos e se sente seguro em continuar a fazê-lo.

Também Francisca Fonseca, de 22 anos, se sente “segura” por ter exames presenciais. A frequentar o 5.º ano de Medicina, a jovem defendeu que é “do interesse de todos os estudantes que o método de avaliação seja o mais normal possível”.

“Se o método de avaliação for muito díspar, pode refletir-se nas notas e não queremos que ninguém saia prejudicado”, salientou Francisca, natural do Porto.

Se antes da pandemia a jovem estudava em bibliotecas e outros espaços, por estes dias tem-se habituado a fazê-lo em casa e, assim, preparar-se para os cinco exames deste que é “último ano antes da grande prova”.

Já Rita Ferreira, de 22 anos, afirmou à Lusa que sempre “confiou” que a faculdade iria fazer um “bom trabalho” para garantir a segurança de todos.

“Este é um momento de muita instabilidade, mas depois de ter visto o espaço estou muito confiante no exame presencial”, referiu a jovem, natural de Aveiro, mas que reside no Porto e durante a época de avaliação cá permanece.

Além dos 14 técnicos responsáveis pela triagem, a FMUP destacou 16 técnicos de limpeza que, a partir de segunda-feira e até 24 de julho, vão ficar encarregues de desinfetar e higienizar os espaços de exame. 

Em declarações à Lusa, Francisco Cruz, docente e membro do Conselho Científico da FMUP, afirmou que o simulacro visa garantir que “tudo corre bem no dia dos exames” e que a decisão da realização dos 60 exames presenciais foi tomada “com base no conhecimento” de epidemiologistas e especialistas da faculdade.

“Tudo isto permite-nos garantir que o segundo semestre vai ser avaliado de forma mais próxima daquilo que foi o primeiro semestre. As avaliações online foram preferidas por 20% das unidades curriculares”, salientou o docente, acrescentando que cabe também à instituição “dar o exemplo”.

“Temos de dar o exemplo de que a sociedade tem de regressar rapidamente à vida normal. Um regresso à vida normal, sobretudo nas zonas do país onde há segurança sanitária e epidemiológica, é fundamental”, concluiu Francisco Cruz.

Portugal contabiliza 1.369 mortos associados à Covid-19 em 31.596 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado esta quinta-feira.