Nos últimos oito anos, a polícia de Minneapolis, no estado do Minnesota, já recorreu 428 vezes à técnica de imobilizar os detidos pressionando-lhes o pescoço. Do total de pessoas que foram imobilizadas desta forma, dois terços eram negras. A informação foi avançada pela CNN, que analisou dados da polícia desde 2012.

Estes dados revelam alguma desproporcionalidade especialmente porque se trata de uma cidade onde apenas 19% dos residentes são negros, de acordo com os censos realizados em 2018.

O mais recente e trágico caso a entrar para esta contabilização diz respeito a George Floyd, um afroamericano de 46 anos que foi detido com recurso a esta técnica e acabou por morrer. Durante 8 minutos e 46 segundos, o polícia Derek Chauvin pressionou um joelho no pescoço de Floyd, enquanto outros três se mantinham ajoelhados nas suas costas. Ao fim desse tempo e de inúmeros pedidos desesperados de socorro, o homem de 46 anos deixou de responder. Ainda assim, durante mais 2 minutos e 53 segundos, o polícia manteve-se com o joelho em cima de Floyd, já morto.

Tal como Floyd, também outras 58 pessoas acabaram por perder a consciência enquanto se estavam a ser imobilizadas pela polícia com recurso a esta técnica — uma percentagem correspondente a 14%.

Ainda de acordo com a CNN, esta técnica foi banida na maioria dos comandos da polícia metropolitana, exatamente pela sua perigosidade, mas a polícia de Minneapolis é uma das que ainda permite imobilizar suspeitos desta forma quando estes apresentam uma postura agressiva ou tentam resistir à detenção — o que não se verificou com Floyd. O homem de 46 anos estava desarmado e algemado quando foi atirado ao chão e o polícia Derek Chauvin lhe pressionou o pescoço com o joelho. E era suspeito de ter tentado pagar compras feitas num supermercado de Minneapolis com uma nota falsa de 20 dólares.

Autópsia pedida pela família determina que George Floyd morreu de asfixia

Uma autópsia pedida pela família de George Floyd concluiu que a morte foi causada por “asfixia por pressão continuada” no pescoço e nas costas. “Não foi apenas o joelho [de Derek Chauvin] no pescoço do George que causou a sua morte, foi também o peso que os outros dois polícias puseram nas suas costas, o que impediu que o sangue chegasse ao cérebro e o ar entrasse nos seus pulmões”, explicou Antonio Romanucci, advogado da família, numa conferência de imprensa esta segunda-feira.

O vídeo da detenção de Floyd tornou-se virais e a sua morte gerou uma onda de manifestações violentas que se estenderam a praticamente a todos os estados dos EUA, mas também a cidades por todo o mundo. Até ao momento, o número de manifestantes detidos já passou a linha dos mil e há registo de polícias que foram baleados e atropelados.

Dois mortos em Chicago, pilhagens e detenções continuam em várias cidades