O Governo vai ser informado pelas autoridades de saúde sobre a evolução da situação epidemiológica do novo coronavírus na região de Lisboa e Vale do Tejo apenas na quinta-feira, dia 4 de junho. Será com base neste ponto de situação que irá tomar uma decisão sobre a eventual reabertura dos centros comerciais e das Lojas de cidadão, no Conselho de Ministros que se realiza no mesmo dia. Ainda assim, o primeiro-ministro, esta quarta-feira, já falou em levantar “muito brevemente” as restrições impostas nesta região.

Já posso ir ao shopping? E ao ginásio? E se viver em Lisboa? 48 respostas sobre o que aí vem

Ao que o Observador apurou junto de fonte oficial da Direção-Geral da Saúde (DGS), não houve nenhuma reunião entre as autoridades de saúde e o executivo desde a semana passada, quando, em Conselho de Ministros, se decidiu dar um passo em frente no desconfinamento em todo o país, à exceção de Lisboa e Vale do Tejo.

Os dados que serão apresentados esta quinta-feira ao primeiro-ministro, por parte do Ministério da Saúde e da DGS, prendem-se, essencialmente, com a caracterização dos casos de infeção por Covid-19 nesta região e as medidas que têm vindo a ser implementadas para controlar este surto. É que, mais importante do que o número de infetados, é preciso perceber o tipo de casos, isto é, se se trata de um surto generalizado em toda a região ou se são focos controlados — um surto numa família ou num grande centro de empresas — que as autoridades de saúde podem ir testando e isolando.

No caso de Lisboa e Vale do Tejo, já foram identificados alguns focos — como é o caso da construção civil, por exemplo — e as autoridades estão a tentar isolá-los. Foi aliás isso que adiantou António Costa, esta quarta-feira durante o debate quinzenal, na véspera do ponto de situação com a DGS e o Ministério da Saúde. O primeiro-ministro referiu que o que se passa nesta região é o “resultado de focos concretos”, o que faz com que “muito brevemente” haja condições para se levantar as restrições impostas.

Costa: “Custos da crise são absolutamente brutais”. Portugal tem mais 11 mortos e 366 novos casos

O facto de os números terem vindo ao aumentar nos últimos dias não significa que haja mais infetados em Lisboa e Vale do Tejo do que em qualquer outro local do país, garante a mesma fonte da DGS. Isto acontecerá porque estão a ser feitos mais testes nesta região, para se poder identificar, isolar e tratar os focos de infeção. Recorde-se, aliás, que foi implementado um plano de intervenção do Governo em Lisboa e Vale do Tejo, que inclui o “investimento no rastreio da infeção em atividades onde que se têm verificado surtos de Covid-19, sobretudo nas áreas associadas à construção civil e cadeias de abastecimento”.

Serviços do SNS na Grande Lisboa podem não retomar atividade normal devido a surto de covid-19

Controlar estes focos, no entanto, não é um trabalho exclusivo das autoridades de saúde: passa também por outros parceiros como a Segurança Social, os Transportes e a Habitação, sublinha fonte oficial da DGS. Isto porque, apesar de a maioria dos infetados serem jovens, assintomáticos e sem problemas de saúde, pelo que, à partida, não precisam de internamento hospitalar — basta estarem isolados em casa —, há casos em que é necessário a intervenção da Segurança Social, seja porque os infetados coabitam com muitas pessoas, seja porque as habitação onde estão não têm as condições sanitárias mais adequadas — o plano de intervenção do Governo prevê precisamente “a identificação de locais domiciliários alternativos caso necessário”.

Se o Governo achar que todos estes parceiros, trabalhando em conjunto, conseguem controlar este surto na região de Lisboa e Vale do Tejo, pode optar pela reabertura dos centros comerciais, das lojas de maior dimensão, feiras e Lojas do Cidadão. Mas a saúde não será a única questão posta na balança aquando da tomada de decisão do Governo, recorda fonte oficial da DGS. É preciso ter em conta o peso que poderá ter para a economia manter os centros comerciais encerrados. Além de que manter esta situação numa das principais regiões do país pode passar uma mensagem de insegurança.

No fundo, o Governo terá de ter em conta todos estes fatores e ponderar os riscos. O executivo pode optar pela reabertura por considerar que o foco está controlado e tendo em conta o peso que pode ter para a economia do país manter os centros comerciais fechados na região de Lisboa e Vale do Tejo. Ou pode achar precisamente o contrário e prorrogar o encerramento destes estabelecimentos.

A verdade é que esta região está um passo atrás em relação ao resto do país. Independentemente da decisão governativa, as medidas de controlo dos focos de infeção vão continuar, garante a DGS.