Portugal teve, no segundo trimestre do ano, mais de um milhão de pessoas em teletrabalho, a grande maioria devido à pandemia, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), revelados esta quarta-feira. O valor representa 23,1% (quase um quarto) do total da população empregada no país.

Das 1.094,4 mil pessoas que indicaram ter estado sempre ou quase sempre a trabalhar a partir de casa, 998,5 mil pessoas (91,2%) disseram que a razão principal se deveu à pandemia da Covid-19. Comparando as horas trabalhadas, o INE revela que “não há grande diferença entre trabalhar em casa ou fora de casa”. “Efetivamente, quem não esteve ausente e trabalhou fora de casa trabalhou em média 36 horas nessa semana e quem não esteve ausente e trabalhou a partir de casa trabalhou 35 horas”, pode ler-se.

A área metropolitana de Lisboa foi a região em que se observou uma maior proporção de empregados que trabalharam sempre ou quase sempre em casa (36,0%). A percentagem foi também maior entre as mulheres (25,2%) do que entre os homens (21,1%) e entre quem tem o ensino superior (53,8%).

“A profissão dos especialistas das atividades intelectuais e científicas, que reúne 21,6% dos empregados do 2.º trimestre, foi claramente aquela em que mais trabalhadores exerceram a sua profissão em sempre ou quase sempre em casa (56,7%)”, refere ainda o INE.

Além disso, 643,8 mil pessoas disseram que não trabalharam no emprego principal — 76,3% devido à pandemia.

População inativa tem maior subida desde 2011

A população inativa com 15 ou mais anos, que não estava empregada nem era considerada desempregada, aumentou 5,7% (são mais 210,3 mil) no segundo trimestre relativamente ao trimestre anterior, e 7,5% (mais 270,3 mil) em relação ao trimestre homólogo. “Nunca antes, desde 2011, a população inativa com 15 e mais anos havia registado variações trimestrais e homólogas tão elevadas”, conclui o INE.

A contribuir para estes valores esteve o número de inativos que, apesar de disponíveis para trabalhar, não procuraram emprego, por exemplo, devido à pandemia (durante alguns meses, com a ordem de confinamento, não foi possível procurar trabalho). Segundo o instituto, 312,1 mil pessoas estiveram nesta situação, mais 87,6% (145,7 mil) do que no trimestre anterior.

Será também por isto que a taxa de desemprego, no segundo trimestre, desceu 1,1 pontos percentuais  face aos três meses anteriores para os 5,6%. Esta taxa pode, assim, estar a esconder um desemprego maior. É que nos critérios do instituto, é considerado desempregado quem não tem trabalho, mas procura ativamente emprego e/ou está disponível para trabalhar. Com o confinamento, muitos não puderam procurar trabalho ou não estiveram disponíveis para ter um emprego, por exemplo, por terem de tomar conta dos filhos. Em vez de ser contabilizadas como desempregados (embora o sejam), são classificadas como inativos.

O INE conclui ainda que do primeiro para o segundo trimestre do ano, 86,8 mil pessoas passaram de uma situação de emprego para desemprego e 264,6 mil ficaram inativas. “Assim, o total de pessoas que deixaram de estar empregadas, no espaço de um trimestre, foi 351,4 mil.”

Por outro lado, as entradas no emprego provenientes do desemprego foram estimadas em 64,3 mil pessoas e as provenientes da inatividade em 152,4 mil, “pelo que o total de pessoas que transitaram para o emprego, neste trimestre, foi 216,8 mil”.